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Liturgia diária

Quarta-feira da 15ª semana do Tempo Comum

Quarta-Feira, 15 De Julho Cor litúrgica: Verde

10,5-7.13-16.

5 Assim fala o Senhor: «Ai da Assíria, vara da minha ira e bastão da minha cólera!
6 Enviei-a contra uma nação ímpia, mandei-a contra um povo que provoca o meu furor, para o saquear e levar os despojos, para o pisar como a lama das ruas.
7 Mas a Assíria não pensava desse modo, o seu coração não tinha esse plano. O que ela pretendia era aniquilar, exterminar o maior número de nações.
13 Porque ela diz: "Eu agi pela força do meu braço, atuei com a minha sabedoria, porque sou inteligente. Mudei as fronteiras dos povos, saqueei os seus tesouros, como um herói, derrubei os seus chefes
14 Como quem mete a mão num ninho, assim me apoderei da riqueza dos povos, e como se apanham ovos abandonados, assim eu apanhei a Terra inteira, sem que houvesse um bater de asas, nem um pio sequer".
15 Porventura gloria-se o machado contra quem o empunha? Ou levanta-se a serra contra aquele que a maneja? Como se o bastão pudesse manejar quem o levanta ou o cajado pudesse levantar quem não é de madeira como ele!
16 Por isso, o Senhor Deus do Universo fará definhar os mais robustos da Assíria e debaixo da sua glória acender-se-á um braseiro, um fogo devorador».

94(93),5-6.7-8.9-10.14-15.

R/ O Senhor não abandona o seu povo.

5 Eles esmagam, Senhor, o vosso povo
e oprimem a vossa herança.
6 Matam a viúva e o estrangeiro
e tiram a vida aos órfãos.

7 E dizem: «O Senhor não vê,
o Deus de Jacob não presta atenção».
8 Ó gente estulta, refleti;
e vós, insensatos, quando sereis prudentes?

9 Quem fez o ouvido, não ouvirá?
Quem fez os olhos, não verá?
10 Não poderá castigar quem educa as nações,
quem ensina aos homens a ciência?

14 O Senhor não rejeita o seu povo
nem abandona a sua herança.
15 Mas há de julgar com justiça
e hão de segui-la todos os corações retos.

11,25-27.

25 Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos.
26 Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado.
27 Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho O quiser revelar.

Comentário ao Evangelho

«E as revelaste aos pequeninos»

«Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes». Como? O senhor regozija-Se com a perda dos que não acreditam nele? Nada disso: são admiráveis os seus desígnios para a salvação dos homens! Quando eles se opõem à verdade, e se recusam a recebê-la, Deus não os contraria, deixa-os na sua vontade. A perdição em que caem leva-os a encontrar o caminho: entrando em si mesmos, procuram com ardor a graça do chamamento da fé, que num primeiro momento haviam desprezado. Quanto aos que continuaram fiéis, mais forte ainda se revela, então, o seu ardor. Cristo regozija-Se, pois, por estas coisas serem reveladas a alguns, mas atormenta-Se por ficarem escondidas a outros; percebe-se bem que assim é quando, ao aproximar-Se da cidade, chora sobre ela (Lc 19,41). No mesmo espírito, escreve São Paulo: «Demos graças a Deus: vós éreis escravos do pecado, mas obedecestes de coração ao ensino que vos foi transmitido como norma de vida» (Rom 6,17).

A que inteligentes está Jesus a referir-Se? Aos escribas e aos fariseus. Ele diz isto para encorajar os discípulos, mostrando-lhes os privilégios de que foram julgados dignos; eram simples pescadores e receberam luzes que os sábios e os inteligentes desdenharam. Estes são sábios só de nome: julgam-se sábios, mas não passam de falsos eruditos. É por isso que Cristo não diz: «Revelaste-as aos insensatos», mas: «aos pequeninos», isto é, a pessoas simples e sem argúcia. [...] Ensina-nos assim a renunciar à loucura das grandezas e a procurar a simplicidade. São Paulo vai mais longe: «Se algum de entre vós se julga sábio à maneira deste mundo, torne-se louco para ser sábio» (1Cor 3,18).

São João Crisóstomo (c. 345-407) presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja Sermões sobre o Evangelho de S. Mateus, n°38, 1

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