Liturgia diária
15º Domingo do Tempo Comum
55,10-11.
10 Assim fala o Senhor: «A chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a haverem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer.
11 Assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão».
65(64),10abcd.10e-11.12-13.14.
R/ A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.
10 Visitastes a terra e a regastes,
10 enchendo-a de fertilidade.
10 As fontes do céu transbordam em água,
10 e fazeis brotar o trigo.
10 Assim preparais a terra;
11 regais os seus sulcos e aplanais as leivas,
Vós a inundais de chuva
e abençoais as sementes.
12 Coroastes o ano com os vossos benefícios,
por onde passastes brotou a abundância.
13 Vicejam as pastagens do deserto,
e os outeiros vestem-se de festa.
14 Os prados cobrem-se de rebanhos,
e os vales enchem-se de trigo.
Tudo canta e grita de alegria.
8,18-23.
18 Irmãos: Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há de manifestar em nós.
19 Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus.
20 Elas estão sujeitas à vã situação do mundo, não por sua vontade, mas por vontade daquele que as submeteu,
21 com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza, para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
22 Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade.
23 E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adoção filial e a libertação do nosso corpo.
13,1-23.
1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar.
2 Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem.
3 Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear.
4 Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas.
5 Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda;
6 mas, depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz.
7 Outras caíram entre espinhos, e os espinhos cresceram e afogaram-nas.
8 Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.
9 Quem tem ouvidos, oiça».
10 Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Porque lhes falas em parábolas?».
11 Jesus respondeu: «Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não.
12 Pois àquele que tem, dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado.
13 É por isso que lhes falo em parábolas, porque veem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender.
14 Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: "Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas sem ver.
15 Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure".
16 Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem!
17 Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram, e ouvir o que vós ouvis e não ouviram.
18 Escutai, então, o que significa a parábola do semeador:
19 Quando um homem ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho.
20 Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria,
21 mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo.
22 Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto.
23 E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».
Comentário ao Evangelho
«Aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um»
Toda a evangelização está fundada sobre esta Palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada. A Sagrada Escritura é fonte da evangelização. Por isso, é preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra. A Igreja não evangeliza se não se deixa continuamente evangelizar. É indispensável que a Palavra de Deus «se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial» (Bento XVI). A Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e reforça interiormente os cristãos e torna-os capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária. Superámos já a velha contraposição entre Palavra e Sacramento: a Palavra proclamada, viva e eficaz, prepara a receção do Sacramento e, no Sacramento, essa Palavra alcança a sua máxima eficácia.
O estudo da Sagrada Escritura deve ser uma porta aberta para todos os crentes. É fundamental que a Palavra revelada fecunde radicalmente a catequese e todos os esforços para transmitir a fé. A evangelização requer a familiaridade com a Palavra de Deus e isto exige que as dioceses, as paróquias e todos os grupos católicos proponham um estudo sério e perseverante da Bíblia e promovam igualmente a sua leitura orante, pessoal e comunitária. Nós não procuramos Deus tateando, nem precisamos de esperar que Ele nos dirija a palavra, porque realmente «Deus falou, já não é o grande desconhecido, mas mostrou-Se a Si mesmo» (Bento XVI). Acolhamos o tesouro sublime da Palavra revelada!
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