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Liturgia diária

Segunda-feira da 14ª semana do Tempo Comum

Segunda-Feira, 6 De Julho Cor litúrgica: Verde

2,16.17b-18.21-22.

16 Eis o que diz o Senhor: «Hei de atrair ao meu amor a casa de Israel, hei de conduzi-la ao deserto e falar-lhe ao coração.
17 Ali corresponderá como nos dias da sua juventude, quando saiu da terra do Egito.
18 Nesse dia, diz o Senhor, chamar-Me-ás "meu marido" e não "meu baal".
21 Farei de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo a justiça e o direito, com amor e misericórdia
22 Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor».

145(144),2-3.4-5.6-7.8-9.

R/ O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

2 Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
3 O Senhor é grande e digno de louvor,
insondável é a sua grandeza.

4 Uma geração anuncia à outra as vossas obras
e todas proclamam o vosso poder.
5 Falam do esplendor da vossa majestade
e anunciam as vossas maravilhas.

6 Cantam o poder das vossas obras
e proclamam a vossa grandeza.
7 Celebram a memória da vossa imensa bondade
e aclamam a vossa justiça.

8 O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
9 O Senhor é bom para com todos,
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

9,18-26.

18 Naquele tempo, estava Jesus a falar aos seus discípulos, quando um chefe se aproximou e se prostrou diante dele, dizendo: «A minha filha acaba de falecer. Mas vem impor a mão sobre ela e viverá».
19 Jesus levantou-Se e acompanhou-o com os discípulos.
20 Entretanto, uma mulher que sofria um fluxo de sangue havia doze anos aproximou-se por detrás dele e tocou-Lhe na fímbria do manto,
21 pensando consigo: «Se eu ao menos Lhe tocar no manto, ficarei curada».
22 Mas Jesus voltou-Se e, ao vê-la, disse-lhe: «Tem confiança, minha filha. A tua fé te salvou». E a partir daquele momento a mulher ficou curada.
23 Ao chegar a casa do chefe e ao ver os tocadores de flauta e a multidão em grande alvoroço,
24 Jesus disse-lhes: «Retirai-vos, porque a menina não morreu; está a dormir». Riram-se dele.
25 Mas, quando mandou sair a multidão, Jesus entrou, tomou a menina pela mão e ela levantou-se.
26 E a notícia divulgou-se por toda aquela terra.

Comentário ao Evangelho

«A tua fé te salvou»

A fé é o que faz com que acreditemos do fundo da alma [...] em todas as verdades que a religião nos ensina: no conteúdo da Sagrada Escritura e em todos os ensinamentos do Evangelho, enfim, em tudo o que nos é proposto pela Igreja. O justo vive realmente desta fé (Rom 1,17) porque, para ele, a fé substitui a maior parte dos sentidos. Ela transforma todas as coisas, de modo que os sentidos antigos já pouco podem servir à alma: por eles, a alma apenas percebe aparências enganadoras, enquanto a fé lhe mostra a realidade.

O olho mostra-lhe um homem pobre; a fé mostra-lhe Jesus (cf Mt 25,40). O ouvido fá-lo ouvir injúrias e perseguições; a fé canta-lhe: «Alegrai-vos e rejubilai de alegria» (cf Mt 5,12). O tato faz-nos sentir o apedrejamento recebido; a fé diz-nos: «Sentiram grande alegria por terem sido considerados dignos de sofrer alguma coisa pelo nome de Cristo» (cf At 5,41). O olfato faz-nos sentir o incenso; a fé diz-nos que o verdadeiro incenso «são as orações dos santos» (Ap 8,4).

Os sentidos seduzem-nos pela beleza criada; a fé pensa na beleza incriada e compadece-se de todas as criaturas, que são um nada e uma poeira ao lado dessa beleza. Os sentidos têm horror à dor; a fé bendi-la como a coroa do matrimónio que a une ao seu Bem-amado, a caminhada com o Esposo, a mão na sua mão divina. Os sentidos revoltam-se contra a injúria; a fé abençoa-a -- «Abençoai os que vos maldizem» (Lc 6,28) -- [...], achando-a doce, porque significa partilhar o destino de Jesus. [...] Os sentidos são curiosos; a fé nada quer conhecer: anseia por ser sepultada e quereria passar toda a sua vida imóvel ao pé do tabernáculo.

Beato Charles de Foucauld (1858-1916) eremita e missionário no Saara Retiro feito em Nazaré 1897

Santo do Dia