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Liturgia diária

Sexta-feira da 7ª semana da Páscoa

Sexta-Feira, 29 De Maio Cor litúrgica: Branco

Atos dos Apóstolos 25,13b-21.

13 Naqueles dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia e foram apresentar cumprimentos ao governador Festo.
14 Como se demoraram ali muitos dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: «Há aqui um homem, que Félix deixou preso,
15 e contra o qual, estando eu em Jerusalém, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos dos judeus apresentaram queixa, pedindo a sua condenação.
16 Respondi-lhes que não era costume dos romanos conceder a entrega de qualquer homem antes de o réu ter na sua frente os acusadores e poder defender-se da acusação.
17 Vieram então aqui a Cesareia e, sem mais demoras, logo no dia seguinte, sentei-me no tribunal e mandei comparecer o homem.
18 Postos frente a frente, os acusadores não alegaram nenhum dos crimes de que eu suspeitava.
19 Só tinham com ele discussões acerca da sua religião e especialmente a respeito de um certo Jesus, que morreu e que Paulo afirma estar vivo.
20 Eu fiquei embaraçado perante um debate deste género e perguntei-lhe se queria ir a Jerusalém, para lá ser julgado.
21 Mas, como Paulo apelou para que a sua causa fosse decidida pelo imperador, mandei que o conservassem preso, até o enviar a César».

103(102),1-2.11-12.19-20ab.

R/ O Senhor tem no Céu o trono da sua glória.

1 Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
2 Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

11 Como a distância da terra ao céu,
assim é grande a sua misericórdia para os que O temem.
12 Como o Oriente dista do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.

19 O Senhor fixou no Céu o seu trono
e o seu reino estende-se sobre o universo.
20 Bendizei o Senhor, todos os seus anjos,
20 poderosos executores das suas ordens.

João 21,15-19.

15 Quando Jesus Se manifestou aos seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, amas-Me tu mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros».
16 Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas».
17 Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas.
18 Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas, quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres».
19 Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».

Comentário ao Evangelho

«Tu amas-Me?»

Vejo aqui todos os bons pastores identificados com o único Pastor (Jo 10,14). Não faltam bons pastores, mas estão num só. Se não estivessem num só, estariam divididos. [...] Mas na própria pessoa de Pedro Ele recomendou a unidade. Os Apóstolos eram muitos, mas a um só foi dito: «Apascenta as minhas ovelhas». […] Quando confiou as suas ovelhas a Pedro, como quem as entrega a outra pessoa diferente de Si mesmo, quis fazer dele uma só coisa consigo. Cristo, a Cabeça, confiou as ovelhas a Pedro como símbolo do seu Corpo, que é a Igreja (Col 1,18). […] Por isso, ao confiar-lhe as suas ovelhas, para não parecer que as entregava a um pastor distinto de Si mesmo, o Senhor perguntou-lhe: «Pedro, tu amas-Me?» Ele respondeu-Lhe: «Sim, amo-Te». E perguntou outra vez: «Tu amas-Me?» Ele respondeu: «Sim, amo-Te». Perguntou-lhe ainda pela terceira vez: «Tu amas-Me?» E ele respondeu-Lhe novamente: «Sim, amo-Te». Deste modo, quis fortalecê-lo no amor, para o confirmar na unidade.

Portanto, é só Ele que apascenta nos pastores e é só nele que os pastores apascentam. […] Não foi por falta de pastores — como anunciou o Profeta para os tempos da desgraça que estavam para vir — que o Senhor disse: «Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas» (Ez 34,15), como se dissesse: «Não tenho a quem as confiar». Na verdade, quando o próprio Pedro e os outros Apóstolos viviam ainda neste mundo, Aquele que é o único Pastor, e no qual todos os outros são um só, disse: «Tenho outras ovelhas que não são deste redil; e é preciso que Eu as traga, para que haja um só rebanho e um só pastor» (Jo 10,16). Portanto, estejam todos os pastores no único Pastor; as ovelhas oiçam esta voz e sigam o seu Pastor: não este ou aquele, mas o único Pastor. Apregoem todos com Ele a uma só voz e não haja vozes diversas. «Suplico-vos, irmãos, que tenhais todos uma só voz e que não haja entre vós divisões» (1Cor 1,10). As ovelhas oiçam esta voz, purificada de toda a divisão, livre de toda a heresia, e sigam o seu Pastor que diz: «As minhas ovelhas ouvem a minha voz e seguem-Me» (Jo 10,27).

Santo Agostinho (354-430) bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja Sermão 46, «Sobre os Pastores», 30 (trad. do breviário, sexta-feira da XXV semana do Tempo Comum)

Santo do Dia