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Liturgia diária

Terça-feira da 5ª semana da Quaresma

Terça-Feira, 31 De Março Cor litúrgica: Roxo

Nb 21,4-9.

4 Naqueles dias, os filhos de Israel partiram do monte Hor para o mar Vermelho, contornando a terra de Edom. No caminho, o povo impacientou-se
5 e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egito, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável».
6 Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel.
7 O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo.
8 Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado».
9 Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.

102(101),2-3.16-18.19-21.

R/ Ouvi, Senhor, a minha oração, chegue até Vós o meu clamor.

2 Ouvi, Senhor, a minha oração
e chegue até Vós o meu clamor.
3 Não escondais o vosso rosto
no dia da minha aflição.
Inclinai para mim o vosso ouvido;
no dia em que chamar por Vós
respondei-me sem demora.

16 Os povos temerão, Senhor, o vosso nome,
todos os reis da Terra a vossa glória.
17 Quando o Senhor reconstruir Sião
e manifestar a sua glória,
18 atenderá a súplica do infeliz
e não desprezará a sua oração.

19 Escreva-se tudo isto para as gerações futuras
e o povo que se há de formar louvará o Senhor.
20 Debruçou-Se do alto da sua morada,
lá do Céu o Senhor olhou para a Terra,
21 para ouvir os gemidos dos cativos,
para libertar os condenados à morte.

João 8,21-30.

21 Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Eu vou partir. Haveis de procurar-Me e morrereis no vosso pecado. Vós não podeis ir para onde Eu vou».
22 Diziam então os judeus: «Irá Ele matar-Se? Será por isso que Ele afirma: "Vós não podeis ir para onde Eu vou"?».
23 Mas Jesus continuou, dizendo: «Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo.
24 Ora, Eu disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditardes que Eu sou, morrereis nos vossos pecados».
25 Então perguntaram-Lhe: «Quem és Tu?». Respondeu-lhes Jesus: «Absolutamente aquilo que vos digo.
26 Tenho muito que dizer e julgar a respeito de vós. Mas Aquele que Me enviou é verdadeiro e Eu comunico ao mundo o que Lhe ouvi».
27 Eles não compreenderam que lhes falava do Pai.
28 Disse-lhes então Jesus: «Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que Eu sou e que por Mim nada faço, mas falo como o Pai Me ensinou.
29 Aquele que Me enviou está comigo: não Me deixou só, porque Eu faço sempre o que é do seu agrado».
30 Enquanto Jesus dizia estas palavras, muitos acreditaram nele.

Comentário ao Evangelho

«Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que Eu sou»

O espanto é a fonte aonde os filósofos vão buscar o seu grande saber. Eles conhecem e contemplam os prodígios da natureza, como os tremores de terra, os trovões […], os eclipses do Sol e da Lua; e, tocados por essas maravilhas, vão à procura das respetivas causas. E assim, por via de pacientes buscas e prolongadas investigações, chegam a um saber e a uma subtileza notáveis, a que os homens chamam filosofia natural.

Existe, contudo, outra forma mais elevada de filosofia, que se encontra acima da natureza, e à qual se chega igualmente pelo espanto: a filosofia dos cristãos. De tudo o que caracteriza a doutrina cristã, é particularmente extraordinário e maravilhoso que o Filho de Deus tenha consentido, por amor ao homem, em ser crucificado e morrer na cruz. […] Não é espantoso que Aquele por quem temos maior temor e respeito tenha sentido um medo tal que suou água e sangue? […] Não é impressionante que Aquele que dá a vida a todas as criaturas tenha sofrido morte tão ignóbil, cruel e dolorosa?

Assim, aqueles que se esforçam, de coração aberto e fé sincera, por meditar e admirar este livro extraordinário que é a cruz atingirão um saber mais fecundo que muitos outros que estudam e meditam quotidianamente nos livros vulgares. Para um verdadeiro cristão, este livro basta como objeto de estudo para todos os dias da sua vida.

São João Fisher (c. 1469-1535) bispo, mártir Sermão para Sexta-Feira Santa

Santo do Dia