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Liturgia diária

Quarta-feira da 33ª semana do Tempo Comum

Quarta-Feira, 20 De Novembro Cor litúrgica: Verde

2_M 7,1.20-31.

1 Naqueles dias, foram presos sete irmãos, juntamente com a mãe, e o rei da Síria quis obrigá-los, à força de golpes de azorrague e de nervos de boi, a comer carne de porco proibida pela lei judaica.
20 Eminentemente admirável e digna de memória foi a mãe, que, vendo morrer num só dia os seus sete filhos, tudo suportou com firme serenidade, pela esperança que tinha no Senhor.
21 Exortava cada um deles na sua língua pátria e, cheia de nobres sentimentos, juntava uma coragem varonil à ternura de mulher. Ela dizia-lhes:
22 «Não sei como aparecestes no meu seio, porque não fui eu que vos dei o espírito e a vida, nem fui eu que ordenei os elementos de cada um de vós.
23 Por isso, o Criador do mundo, que é o autor do nascimento e origem de todas as coisas, vos restituirá, pela sua misericórdia, o espírito e a vida, porque vos desprezais agora a vós mesmos por amor das suas leis».
24 Então, o rei Antíoco julgou-se insultado e suspeitou de que aquelas palavras o ultrajavam. Como o filho mais novo ainda estava vivo, não só começou a exortá-lo com palavras, mas também lhe prometeu com juramento que o tornaria rico e feliz, se ele abandonasse as tradições dos seus antepassados. Faria dele seu amigo, confiando-lhe altas funções.
25 Como o jovem não lhe deu a menor atenção, o rei chamou a mãe à sua presença e exortou-a a aconselhar o jovem para lhe salvar a vida.
26 Depois de muita insistência do rei, ela consentiu em persuadir o filho.
27 Inclinou-se para ele e, ludibriando o tirano, assim lhe falou na língua pátria: «Filho, tem compaixão de mim, que te trouxe nove meses no meu seio, te amamentei durante três anos, te criei e eduquei até esta idade, provendo sempre ao teu sustento.
28 Peço-te, meu filho, olha para o Céu e para a terra, contempla tudo o que neles existe e reconhece que Deus os criou do nada, assim como a todo o género humano.
29 Não temas este carrasco, mas sê digno dos teus irmãos e aceita a morte, para que eu te possa encontrar com eles no dia da misericórdia divina».
30 Apenas ela acabou de falar, o jovem exclamou: «Por que esperais? Eu não obedeço às ordens do rei. Obedeço aos mandamentos da Lei que foi dada por Moisés aos nossos antepassados.
31 E tu, inventor de todos os males contra os hebreus, não escaparás às mãos de Deus».

17(16),1.5-6.8b.15.

R/ Senhor, ficarei saciado, quando surgir a vossa glória.

1 Ouvi, Senhor, uma causa justa,
atendei a minha súplica.
Escutai a minha oração,
feita com sinceridade.

5 Firmai os meus passos nas vossas veredas,
para que não vacilem os meus pés.
6 Eu Vos invoco, ó Deus, respondei-me,
ouvi e escutai as minhas palavras.

8 Guardai-me como a menina dos olhos,
protegei-me à sombra das vossas asas.
15 Mereça eu contemplar a vossa face
e, ao despertar, saciar-me com a vossa imagem.

Lucas 19,11-28.

11 Naquele tempo, disse Jesus uma parábola, porque estava perto de Jerusalém e eles pensavam que o Reino de Deus ia manifestar-se imediatamente.
12 Então, Jesus disse: «Um homem nobre foi para uma região distante, a fim de ser coroado rei e depois voltar.
13 Antes, porém, chamou dez dos seus servos e entregou-lhes dez minas, dizendo: "Fazei-as render até que eu volte".
14 Ora os seus concidadãos detestavam-no e mandaram uma delegação atrás dele para dizer: "Não queremos que ele reine sobre nós".
15 Quando voltou, investido do poder real, mandou chamar à sua presença os servos a quem entregara o dinheiro, para saber o que cada um tinha lucrado.
16 Apresentou-se o primeiro e disse: "Senhor, a tua mina rendeu dez minas".
17 Ele respondeu-lhe: "Muito bem, servo bom! Porque foste fiel no pouco, receberás o governo de dez cidades".
18 Veio o segundo e disse-lhe: "Senhor, a tua mina rendeu cinco minas".
19 A este respondeu igualmente: "Tu também ficarás à frente de cinco cidades".
20 Depois veio o outro e disse-lhe: "Senhor, aqui está a tua mina, que eu guardei num lenço,
21 pois tive medo de ti, que és homem severo: levantas o que não depositaste e colhes o que não semeaste".
22 Disse-lhe o rei: "Servo mau, pela tua boca te julgo. Sabias que sou homem severo, que levanto o que não depositei e colho o que não semeei.
23 Então, porque não entregaste ao banco o meu dinheiro? No meu regresso tê-lo-ia recuperado com juros".
24 Depois disse aos presentes: "Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez".
25 Eles responderam-lhe: "Senhor, ele já tem dez minas!".
26 O rei respondeu: "Eu vos digo: a todo aquele que tem se dará mais, mas àquele que não tem, até o que tem lhe será tirado.
27 Quanto a esses meus inimigos, que não me quiseram como rei, trazei-os aqui e degolai-os na minha presença"».
28 Dito isto, Jesus seguiu à frente do povo para Jerusalém.

Comentário ao Evangelho

Os dons de Deus e a liberdade do homem

O homem tem alguma coisa para oferecer a Deus? Tem, sim: a sua fé e o seu amor. É isto que Deus pede ao homem; por isso está escrito: «E agora, Israel, o que o Senhor, teu Deus, exige de ti é que temas o Senhor, teu Deus, para seguires todos os seus caminhos, para O amares, para servires o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma» (Dt 10,12). São estes os presentes, os dons que devemos oferecer ao Senhor. Mas, para Lhe oferecermos estes dons com o coração, temos primeiro de O conhecer; temos de ter bebido o conhecimento da sua bondade nas águas profundas do seu poço. [...]

Ao ouvirem estas palavras, os que negam que a salvação do homem está no poder da sua liberdade não poderão deixar de corar! Deus pediria alguma coisa ao homem se este não fosse capaz de corresponder aos pedidos de Deus e de Lhe oferecer o que Lhe deve? Porque há o dom de Deus mas há também a contribuição do homem. Por exemplo, o homem tem poder para fazer com que uma moeda de ouro renda outras dez ou só cinco; mas depende de Deus que o homem possua essa moeda de ouro com que pode produzir outras dez. Quando apresentou a Deus essas dez moedas de ouro que ganhou, o homem recebeu um novo dom, já não em dinheiro: recebeu o poder e a realeza sobre dez cidades.

Da mesma maneira, Deus pediu a Abraão que Lhe oferecesse o seu filho Isaac, num dos montes que haveria de lhe indicar. E Abraão, sem hesitar, ofereceu o seu filho único: pô-lo sobre o altar e pegou no cutelo para o degolar; mas logo uma voz o reteve e foi-lhe dado um carneiro para imolar em substituição do filho (Gn 22). Vê bem: o que oferecemos a Deus continua a ser nosso; mas essa oferenda é-nos pedida para que, ao oferecê-la, testemunhemos o nosso amor a Deus e a fé que nele temos.

Orígenes (c. 185-253) presbítero, teólogo Homilias sobre o livro dos Números, n.°12, §3

Santo do Dia