Liturgia diária
Quarta-feira da 32ª semana do Tempo Comum
Sg 6,2-11.
2 Escutai, ó reis, e procurai compreender; aprendei governantes de toda a terra. Prestai atenção, vós que reinais sobre as multidões e vos gloriais do número dos vossos povos:
3 do Senhor recebestes o poder e do Altíssimo a soberania; Ele examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções.
4 Sendo ministros do seu reino, não governastes com retidão, não cumpristes a lei, nem seguistes a vontade de Deus.
5 Ele virá sobre vós, terrível e repentino, porque julga severamente os que dominam.
6 Ao mais pequeno perdoa-se por compaixão, mas os grandes serão examinados com rigor.
7 O Senhor de todos não teme ninguém, nem Se impressiona com a grandeza. Ele criou o pequeno e o grande e a sua providência é igual para todos;
8 mas aos poderosos reserva um exame severo.
9 É a vós, soberanos, que se dirigem as minhas palavras, a fim de aprenderdes a Sabedoria e não cairdes em falta.
10 Porque os que santamente tiverem guardado as leis santas serão declarados santos e os que nelas se tiverem instruído encontrarão segura defesa.
11 Procurai ouvir as minhas palavras desejai-as ardentemente e sereis instruídos.
82(81),3-4.6-7.
R/ Levantai-Vos, Senhor, e julgai a terra.
3 Defendei o órfão e o desprotegido,
fazei justiça ao humilde e ao pobre.
4 Salvai o oprimido e o indigente,
libertai-o das mãos dos ímpios.
6 O Senhor disse: «Vós sois deuses,
todos vós sois filhos do Altíssimo.
7 Mas, como homens, morrereis,
como os príncipes, todos vós sucumbireis».
Lucas 17,11-19.
11 Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia.
12 Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância,
13 disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!».
14 Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra.
15 Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz,
16 e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um samaritano.
17 Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove?
18 Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?».
19 E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».
Comentário ao Evangelho
«Senão este estrangeiro?»
Feliz aquele leproso samaritano, que reconhecia que «não tinha nada que não tivesse recebido» (1Cor 4,7). Ele «salvaguardou o que lhe tinha sido confiado» (2Tim 1,12) e voltou para o Senhor, dando-Lhe graças. Feliz daquele que, a cada graça recebida, regressa Àquele onde se encontra a plenitude de todas as graças, porque se nos mostrarmos reconhecidos por tudo o que recebemos, preparamos em nós lugar para a graça [...] em maior abundância. Com efeito, só a nossa ingratidão entrava o nosso progresso após uma conversão. [...]
Feliz pois daquele que se olha como um estrangeiro e que dá grandes ações de graças pelas mais pequenas dádivas, segundo o pensamento de que tudo o que se dá a um estrangeiro e a um desconhecido é uma dádiva puramente gratuita. Pelo contrário, sentimo-nos infelizes e miseráveis quando, depois de nos termos mostrado inicialmente timoratos, humildes e devotos, esquecemos que o que recebemos era gratuito. [...]
Peço-vos , pois, meus irmãos, ponhamo-nos sob a mão poderosa de Deus (1Ped 5,6) com cada vez maior humildade. [...] Ponhamo-nos com grande devoção em ação de graças e Ele conceder-nos-á a única graça que pode salvar a nossa alma. Demonstremos o nosso reconhecimento, não apenas por palavras e de forma leviana, mas através das obras e na verdade.
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