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Liturgia diária

Sexta-feira da 26ª semana do Tempo Comum

Sexta-Feira, 4 De Outubro Cor litúrgica: Verde

Ba 1,15-22.

15 Ao Senhor, nosso Deus, pertence a justiça e a nós a vergonha que sentimos no rosto, como sucede neste dia ao homem de Judá e aos habitantes de Jerusalém,
16 aos nossos reis, aos nossos chefes, aos nossos sacerdotes, aos nossos profetas e aos nossos pais,
17 porque pecámos contra o Senhor.
18 Não obedecemos ao Senhor nosso Deus, não ouvimos a sua voz, nem seguimos os mandamentos que Ele nos deu.
19 Desde o dia em que o Senhor fez sair os nossos pais da terra do Egito até este dia, fomos rebeldes ao Senhor, nosso Deus, e procedemos levianamente, não querendo escutar a sua voz.
20 Por isso, como vemos hoje, caíram sobre nós as desgraças e maldições que o Senhor predissera pela boca do seu servo Moisés, no dia em que fez sair os nossos pais da terra do Egito, para nos dar uma terra onde corre leite e mel.
21 Não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, apesar das palavras dos profetas que Ele nos enviou;
22 mas cada um de nós seguiu as inclinações do seu coração, servindo deuses falsos e praticando o que é mal aos olhos do Senhor, nosso Deus.

79(78),1-2.3-5.8.9.

R/ Salvai-nos, Senhor, para glória do vosso nome.

1 Senhor, as nações invadiram a vossa herança,
profanaram o vosso santo Templo,
fizeram de Jerusalém um montão de ruínas.
2 Deram o corpo dos vossos servos
em alimento às aves do céu,
as carnes de vossos fiéis aos animais da selva.

3 Derramaram seu sangue em torno de Jerusalém
e não houve quem lhes desse sepultura.
4 Tornámo-nos o opróbrio dos nossos vizinhos,
a irrisão e o escárnio dos que nos rodeiam.
5 Até quando, Senhor, Vos mostrareis sempre irritado
e se reavivará, como fogo, a vossa indignação?

8 Não recordeis, Senhor, contra nós
as culpas dos nossos pais.
Corra ao nosso encontro a vossa misericórdia,
porque somos tão miseráveis.

9 Ajudai-nos, ó Deus, nosso salvador,
para glória do vosso nome.
Salvai-nos e perdoai os nossos pecados,
para glória do vosso nome.

Lucas 10,13-16.

13 Naquele tempo, disse Jesus: «Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida!
Porque, se em Tiro e em Sidónia se tivessem realizado os milagres que em vós se realizaram, há muito tempo teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e sentando-se sobre a cinza.
14 Assim, no dia do Juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sidónia do que para vós.
15 E tu, Cafarnaum, serás elevada até ao céu? Até ao inferno é que descerás.
16 Quem vos escuta, escuta-Me a Mim; e quem vos rejeita, rejeita-Me a Mim. Mas quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou».

Comentário ao Evangelho

«Ouve, meu povo, sou Eu quem vai falar» (Sl 49,7)

«Oxalá ouvísseis hoje a sua voz! Não endureçais os vossos corações como em Meriba, [...] no deserto, quando os vossos pais Me provocaram. [...] Eles não entrarão no lugar do meu repouso» (Sl 94,7-11). A graça da promessa de Deus é abundante, se hoje ouvirmos a sua voz, porque este «hoje» refere-se a cada novo dia enquanto se disser «hoje». Este «hoje» permanece até ao fim dos tempos, como permanece também a nossa possibilidade de aprender; nessa altura, o verdadeiro «hoje», o dia sem fim de Deus, confundir-se-á com a eternidade. Obedeçamos, pois, à voz do Verbo divino, à Palavra de Deus encarnada, porque o «hoje» de sempre é a imagem da eternidade e o dia é símbolo da luz; ora, o Verbo é para os homens a luz (Jo 1,9) na qual vemos a Deus.

É pois natural que a graça superabunde para aqueles que acreditaram e obedeceram, mas também é natural que Deus Se ire com aqueles que foram incrédulos [...], que não reconheceram as vias do Senhor [...], e os ameace. [...] O mesmo aconteceu aos hebreus, que erraram pelo deserto e não entraram no lugar o repouso por causa da sua incredulidade. [...]

O Senhor ama os homens e, por isso, convida-os «ao conhecimento da verdade» (1Tim 2,4) e envia-lhes o Espírito Santo, o Paráclito. [...] Escutai, pois, vós que estais longe e vós que estais perto (Ef 2,17). O Verbo não Se esconde de ninguém. Ele é a nossa luz, Ele brilha para todos os homens. Apressemo-nos a buscar a salvação através de um novo nascimento. Apressemo-nos a reunir-nos num só rebanho, na unidade do amor. E esta multidão de vozes [...], obedecendo a um único Senhor, o Verbo, encontrará o lugar do seu repouso na própria Verdade e poderá dizer: «Abba, Pai!» (Rom 8, 15).

São Clemente de Alexandria (150-c. 215) teólogo Protréptico, 9; PG 8, 195-201

Santo do Dia