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Liturgia diária

Sábado da 11ª semana do Tempo Comum

Sábado, 22 De Junho Cor litúrgica: Verde

2_Co 12,1-10.

1 Irmãos: é preciso gloriar-me? Na verdade, não convém. No entanto, falarei agora das visões e revelações do Senhor.
2 Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos – com o corpo ou sem o corpo, não sei, Deus o sabe –, foi arrebatado até ao terceiro Céu.
3 E sei que esse homem – com o corpo ou sem o corpo, não sei, Deus o sabe –
4 foi arrebatado até ao Paraíso e ouviu palavras inefáveis, que um homem não pode repetir.
5 Desse homem posso gloriar-me. Mas quanto a mim, não me gloriarei senão das minhas fraquezas.
6 Se quisesse gloriar-me, não seria insensato, pois só diria a verdade. Mas quero evitá-lo, para que ninguém faça de mim uma ideia superior ao que vê em mim ou ouve dizer de mim.
7 Para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça, foi-me deixado um espinho na carne – um anjo de Satanás que me esbofeteia –, para que não me orgulhe.
8 Por três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim.
9 Mas Ele disse-me: «Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder». Por isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas, para que habite em mim o poder de Cristo.
10 Alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte.

34(33),8-9.10-11.12-13.

R/ Saboreai e vede como o Senhor é bom.

8 O anjo do Senhor protege os que O temem
e defende-os dos perigos.
9 Saboreai e vede como o Senhor é bom:
feliz o homem que nele se refugia.

10 Temei o Senhor, vós, os seus fiéis,
porque nada falta aos que O temem.
11 Os poderosos empobrecem e passam fome,
aos que procuram o Senhor não faltará riqueza alguma.

12 Vinde, filhos, escutai-me,
vou ensinar-vos o temor do Senhor.
13 Qual é o homem que ama a vida,
que deseja longos dias de felicidade?

Mateus 6,24-34.

24 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
25 Por isso vos digo: não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário?
26 Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas?
27 Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura?
28 E porque vos inquietais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam;
29 mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
30 Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, não fará muito mais por vós, homens de pouca fé?
31 Não vos inquieteis, dizendo: "Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?"
32 Os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas. Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso.
33 Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo.
34 Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado».

Comentário ao Evangelho

Confiai-vos ao Senhor

Não nos deixemos consumir pelas preocupações que nos causam as necessidades do corpo. Acreditemos em Deus com toda a alma, como dizia um homem bom: «Confiai-vos ao Senhor e recebereis a sua confiança.»

Mas, se hesitas e não crês ainda que Ele vela sobre ti para te alimentar, pensa na aranha e nas suas diferenças em relação ao homem. Sim, refiro-me à aranha, que é o mais débil e mais pobre de todos os seres. Nada tem de seu, não exige, não discute, não acumula, [...] não se mete nos assuntos dos outros, tratando apenas dos seus, faz o seu trabalho num estado de serenidade e de calma, não se dirigindo àqueles que veneram a ociosidade senão para lhes dizer: «Quem não trabalha que também não coma» (2Tess 3,10). E o Senhor, do alto dos Céus, vê aquilo que é humilde (cf Sl 112,5-6, LXX) - e não há nada mais humilde que uma aranha - e, estendendo a sua providência sobre ela, envia todos os dias um pouco de alimento à sua morada, fazendo-lhe cair na teia os insetos de que ela precisa.

Uma pessoa que seja escrava da voracidade poderá dizer: «É que eu como muito e, como gasto muito, tenho de me dedicar a múltiplos negócios» (cf 2Tim 2,4). Tal homem deverá pensar nas enormes baleias que passam a sua existência no oceano Atlântico, onde são abundantemente alimentadas por Deus e nunca passam fome. Assim, pois, é Deus que alimenta, tanto o que come muito como o que come pouco. Ao ouvires estas coisas, tu também que tens um estômago amplo e vasto, confia-te inteiramente a Deus e à fé. E não sejas incrédulo, mas crente (cf Jo 20,27).

João Carpátio (século VII) monge e bispo «Capítulos de exortação», 47-48

Santo do Dia