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Liturgia diária

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – solenidade

Quinta-Feira, 20 De Junho

Tempo litúrgico

Festa do Corpo de Deus
A Igreja coloca a festa da Eucaristia na semana seguinte ao domingo da Trindade. Tem tudo a ver. A coerência da liturgia corresponde à coerência da fé. Se Deus é amor, se Ele assim se revelou no seu mistério da Trindade, que é a comunhão divina no seu amor, este amor foi manifestado para nós pela maneira como Cristo nos amou. E diz o Evangelho que ele nos amou até o fim! Deu por inteiro a sua vida por amor. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”, disse Jesus. Disse e fez. Deu por inteiro sua vida. E tornou perene este seu gesto de amor, colocando-o como sua memória para ser celebrada para sempre. Isto é a Eucaristia. Ela recolhe o amor de Cristo, que continua dando a sua vida por nós e para nós. Também nisto se mostra a coerência do mistério de Deus. Deus é amor. Tendo assumido um corpo humano, o Filho de Deus fez do seu corpo uma expressão de amor. E, para mostrar que queria partilhar conosco o seu amor, fez do seu corpo alimento para nossas vidas, à semelhança de pão para comer e de vinho para beber. Sob estas aparências, a fé diz-nos que é o próprio Cristo que continua dando o seu corpo e o seu sangue por amor a nós, como garantia de salvação para todos. A coerência de amor divino convida-nos à coerência de nossa fé. No pão consagrado e no cálice abençoado reconhecemos a presença viva do próprio Senhor, que nos envolve em seu amor e nos fortalece em sua comunhão. A Eucaristia é o grande sinal do amor de Deus, que Cristo nos testemunhou e nos comunica por seu Santíssimo Sacramento.

Génesis 14,18-20.

18 Naqueles dias, Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho. Era sacerdote do Deus Altíssimo,
19 e abençoou Abraão, dizendo: «Abençoado seja Abraão pelo Deus Altíssimo, Criador do céu e da Terra.
20 Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou nas tuas mãos os teus inimigos». E Abraão deu-lhe a dízima de tudo.

110(109),1.2.3.4.

R/ O Senhor é sacerdote para sempre.

1 Disse o Senhor ao meu Senhor:
«Senta-te à minha direita,
até que Eu faça de teus inimigos escabelo de teus pés.

2 O Senhor estenderá de Sião
o cetro do teu poder
e tu dominarás no meio dos teus inimigos.

3 A ti pertence a realeza desde o dia em que nasceste,
nos esplendores da santidade,
antes da aurora, como orvalho, Eu te gerei».

4 O Senhor jurou e não Se arrependerá:
«Tu és sacerdote para sempre,
segundo a ordem de Melquisedec».

1_Co 11,23-26.

23 Irmãos: Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão
24 e, dando graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim».
25 Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim».
26 Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

Lucas 9,11b-17.

11 Naquele tempo, estava Jesus a falar à multidão sobre o reino de Deus e a curar aqueles que necessitavam.
12 O dia começava a declinar. Então os Doze aproximaram-se e disseram-Lhe: «Manda embora a multidão para ir procurar pousada e alimento às aldeias e casais mais próximos, pois aqui estamos num local deserto».
13 Disse-lhes Jesus: «Dai-lhes vós de comer».
Mas eles responderam: «Não temos senão cinco pães e dois peixes. Só se formos nós mesmos comprar comida para todo este povo».
14 Eram, de facto, uns cinco mil homens. Disse Jesus aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta».
15 Eles assim fizeram, e todos se sentaram.
16 Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou sobre eles a bênção.
Depois partiu-os e deu-os aos discípulos, para eles os distribuírem pela multidão.
17 Todos comeram e ficaram saciados; e ainda recolheram doze cestos dos pedaços que sobraram.

Comentário ao Evangelho

«Eis o pão que os anjos comem transformado em pão do homem; só os filhos o consomem» (Sequência da festa)

Deus todo-poderoso e eterno, eis que me aproximo do sacramento do teu Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo. Doente, venho ao médico de quem a minha vida depende; manchado, à origem da misericórdia; cego, ao fogo da luz eterna; pobre e desprovido de tudo, ao Senhor do Céu e da Terra.

Imploro, pois, a tua generosidade imensa e inesgotável a fim de que Te dignes curar as minhas enfermidades, lavar as minhas manchas, iluminar a minha cegueira, compensar a minha indigência, cobrir a minha nudez; e que assim possa receber o pão dos anjos (Sl 77,25), o Reis dos reis, o Senhor dos senhores (1Tim 6,15), com todo o respeito e humildade, toda a contrição e devoção, toda a pureza e fé, toda a determinação de propósitos e a retidão de intenção que a salvação da minha alma exige.

Permite, peço-Te, que não receba simplesmente o sacramento do corpo e sangue do Senhor, mas toda a força e eficácia desse sacramento. Deus cheio de doçura, permite-me receber de tal maneira o corpo do teu Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo, este corpo material que Ele recebeu da Virgem Maria, que mereça ser incorporado no seu corpo místico e fazer parte dos seus membros.

Pai cheio de amor, permite que eu possa um dia contemplar de rosto descoberto e por toda a eternidade este Filho bem amado que me preparo para receber agora sob o véu que convém à minha condição de viajante. Ele que, sendo Deus, vive e reina contigo na unidade do Espírito Santo pelos séculos e séculos. Amen.

São Tomás de Aquino (1225-1274) teólogo dominicano, doutor da Igreja Orações

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