Saltar para o conteúdo principal

Liturgia diária

Santíssima Trindade – solenidade

Domingo, 16 De Junho

Tempo litúrgico

Domingo da Santíssima Trindade
A festa que hoje celebrámos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas"; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.A primeira leitura sugere-nos a contemplação do Deus criador. A sua bondade e o seu amor estão inscritos e manifestam-se aos homens na beleza e na harmonia das obras criadas (Jesus Cristo é "sabedoria" de Deus e o grande revelador do amor do Pai).A segunda leitura, convida-nos a contemplar o Deus que nos ama e que, por isso, nos "justifica", de forma gratuita e incondicional. É através do Filho que os dons de Deus/Pai se derramam sobre nós e nos oferecem a vida em plenitude.O Evangelho convoca-nos, outra vez, para contemplar o amor do Pai, que se manifesta na doação e na entrega do Filho e que continua a acompanhar a nossa caminhada histórica através do Espírito. A meta final desta "história de amor" é a nossa inserção plena na comunhão com o Deus/amor, com o Deus/família, com o Deus/comunidade.

Provérbios 8,22-31.

22 Eis o que diz a Sabedoria de Deus: «O Senhor me criou como primícias da sua atividade, antes das suas obras mais antigas.
23 Desde a eternidade fui formada, desde o princípio, antes das origens da Terra.
24 Antes de existirem os abismos e de brotarem as fontes das águas, já eu tinha sido concebida.
25 Antes de se implantarem as montanhas e as colinas, já eu tinha nascido;
26 ainda o Senhor não tinha feito a terra e os campos, nem os primeiros elementos do mundo.
27 Quando Ele consolidava os céus, eu estava presente; quando traçava sobre o abismo a linha do horizonte,
28 quando condensava as nuvens nas alturas, quando fortalecia as fontes dos abismos,
29 quando impunha ao mar os seus limites para que as águas não ultrapassassem o seu termo, quando lançava os fundamentos da terra,
30 eu estava a seu lado como arquiteto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença.
31 Deleitava-me sobre a face da Terra e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens».

Salmos 8,4-5.6-7.8-9.

R/ Como sois grande em toda a terra, Senhor, nosso Deus!

4 Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos,
a lua e as estrelas que lá colocastes,
5 que é o homem para que Vos lembreis dele,
o filho do homem para dele Vos ocupardes?

6 Fizestes dele quase um ser divino,
de honra e glória o coroastes;
7 destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos,
tudo submetestes a seus pés.

8 Ovelhas e bois, todos os rebanhos,
e até os animais selvagens,
9 as aves do céu e os peixes do mar,
tudo o que se move nos oceanos.

Romanos 5,1-5.

1 Irmãos: Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo,
2 pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus.
3 Mais ainda, gloriamo-nos nas nossas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz a constância,
4 a constância, a virtude sólida, a virtude sólida, a esperança.
5 Ora, a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

João 16,12-15.

12 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora.
13 Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir.
14 Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará.
15 Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará».

Comentário ao Evangelho

«Que reconheçamos a glória da eterna Trindade, e adoremos a Unidade na sua omnipotência» (oração coleta)

A verdade sobre a Santíssima Trindade tinha-me sido exposta por teólogos, mas nunca a compreendi como a compreendo agora, depois daquilo que Deus me mostrou. [...] Foram-me representadas três Pessoas distintas, que podem ser consideradas e com quem se pode conviver em separado. Percebi depois que só o Filho encarnou, o que mostra claramente a realidade desta distinção. Estas Pessoas conhecem-Se, amam-Se e comunicam entre Si. Mas, se as três Pessoas são distintas, como dizemos que têm, todas três, uma mesma essência? Com efeito, é nisso que acreditamos; trata-se de uma verdade absoluta, pela qual estaria disposta a sofrer mil vezes a morte. Estas três Pessoas têm um único querer, um só poder, uma única soberania, de tal maneira que nenhuma delas pode coisa alguma sem as outras, e que há um só Criador de tudo quanto foi criado. Poderia o Filho criar uma formiga que fosse sem o Pai? Não, porque eles têm um mesmo poder. E o mesmo acontece com o Espírito Santo.

Assim, há um só Deus todo-poderoso, e as três Pessoas constituem uma só Majestade. Poderá alguém amar o Pai sem amar o Filho e o Espírito Santo? Não, mas aquele que se torna agradável a uma destas três Pessoas torna-se agradável às três, e aquele que ofende uma delas ofende as outras duas. Poderá o Pai existir sem o Filho e sem o Espírito Santo? Não, porque têm uma mesma essência, e onde se encontra uma Pessoa encontram-se as outras duas, porque não podem separar-se.

Como é então que vemos três Pessoas distintas? Como é que o Filho encarnou, sem que o Pai e o Espírito Santo tenham encarnado? Eu não o compreendo; os teólogos sabem explicá-lo. O que eu sei é que as três Pessoas concorreram para esta obra maravilhosa. De resto, não me detenho durante muito tempo em questões deste género; o meu espírito passa imediatamente à verdade de que Deus é todo-poderoso e de que, tendo-o querido, pôde fazê-lo, e poderia, da mesma maneira, fazer tudo o que quisesse. Quanto menos compreendo estas coisas, mais acredito nelas, e mais devoção delas retiro. Bendito seja Deus para sempre! Ámen.

Santa Teresa de Ávila (1515-1582) carmelita descalça, doutora da Igreja Relações, n.º 33

Santo do Dia