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Liturgia diária

Quarta-feira da 10ª semana do Tempo Comum

Quarta-Feira, 12 De Junho

Tempo litúrgico

Nossa Senhora do Sameiro
Em 14 de Junho de 1637, o então Arcebispo de Braga jurou solenemente defender o privilégio da Imaculada Conceição da Virgem Nossa Senhora, mais de duzentos anos antes de a Igreja definir o seu dogma. Na mesma data de 1863, foi benzida e lançada a primeira pedra de um monumento em honra de Maria Imaculada, no alto do monte Sameiro, sobranceiro à cidade. O monumento era um amplo quadrado com uma coluna encimada por uma bela estátua de mármore da padroeira.Só em Agosto de 1880 foi benzida uma capela, junto ao monumento, que receberia a imagem que ainda hoje lá se venera, esculpida em Roma e benzida pelo Papa Pio IX.O actual templo, que alberga a mesma imagem, foi iniciado dez anos depois e elevado por Paulo VI à categoria de Basílica.Dos finais do século XIX ao primeiro quartel do século XX, o Sameiro aparece como “centro de convergência de orientação e de apoio de todas as forças católicas da Nação contra o indiferentismo, o liberalismo e a perseguição religiosa reinante”. Pólo de grandes peregrinações, só em 1955 entraram no Sameiro mais de um milhão de pessoas. Por outro lado, acarinhado por vários Papas, a partir de Pio IX, o santuário foi visitado em 1982 por Sua Santidade João Paulo II e a ele dedicou o monumento ao Papa Peregrino.A festa da Senhora do Sameiro foi fixada em 12 de Junho, dia em que S. Pio X coroou oficialmente a imagem de Nossa Senhora da Conceição.

2_Co 3,4-11.

4 Irmãos: É por Cristo que temos esta certeza diante de Deus:
5 Não é que por nós próprios possamos atribuir-nos seja o que for, como se viesse de nós. Essa capacidade vem de Deus.
6 Foi Ele que nos tornou capazes de sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, mas o Espírito dá vida.
7 Se o ministério da morte, gravado com letras sobre a pedra, se revestiu de tal glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés por causa do esplendor do seu rosto -- esplendor, aliás, passageiro
8 --, quanto mais glorioso não há de ser o ministério do Espírito?
9 Se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais glorioso será o ministério da justificação.
10 Na verdade, sob este aspeto, comparada com esta glória eminentemente superior, desvaneceu-se a glória do primeiro ministério.
11 Se o que era passageiro foi glorioso, muito mais glorioso será o que é permanente.

99(98),5.6.7.8.9.

R/ Vós sois santo, Senhor, nosso Deus.

5 Aclamai o Senhor, nosso Deus,
prostrai-vos a seus pés:
Ele é santo.

6 Moisés e Aarão estão entre os seus sacerdotes
e Samuel entre os que invocam o seu nome;
invocavam o Senhor e Ele os atendia.

7 Falava-lhes da coluna de nuvem;
eles observavam os seus mandamentos
e os preceitos que lhes dera.

8 Senhor, nosso Deus, Vós os atendestes,
fostes para eles um Deus paciente,
embora castigásseis as suas faltas.

9 Aclamai o Senhor, nosso Deus,
e prostrai-vos diante da sua montanha santa:
é santo o Senhor, nosso Deus.

Mateus 5,17-19.

17 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim revogar, mas completar.
18 Em verdade vos digo: antes que passem o céu e a Terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra.
19 Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no Reino dos Céus».

Comentário ao Evangelho

«Não vim revogar, mas completar»

A minha visita hoje [a esta sinagoga] pretende constituir um contributo decisivo para a consolidação dos laços que unem as nossas comunidades. [...] Dentre as múltiplas riquezas da declaração «Nostra Aetate», do II Concílio do Vaticano, [...] a primeira é a de que a Igreja de Cristo descobre os seus laços com o judaísmo sondando o seu próprio mistério («Nostra Aetate», 4). A religião judaica não nos é extrínseca, mas, de certo modo, intrínseca. Temos com ela um relacionamento que não temos com nenhuma outra religião. Sois os nossos irmãos preferidos e até, podemos dizê-lo, os nossos irmãos mais velhos. [...]

O caminho que começámos a trilhar está ainda no início; será preciso ainda muito tempo [...] para que todas as formas de preconceito, mesmo que inconsciente, sejam suprimidas e, assim, [...] possamos mostrar o verdadeiro rosto do judaísmo, bem como o do cristianismo. [...] Desde o princípio que não é segredo para ninguém que a nossa divergência fundamental é a nossa adesão, como cristãos, à pessoa e ao ensino de Jesus de Nazaré, filho do vosso povo, do qual saiu igualmente a Virgem Maria, os Apóstolos, alicerces e colunas da Igreja (cf Gal 2,9), e a maioria dos membros das primeiras comunidades cristãs. [...] Outro tanto se diga das vias abertas à nossa colaboração, que, à luz da herança comum saída da Lei e dos Profetas, são diversas e importantes [...]: acima de tudo a colaboração em favor do homem [...], da sua dignidade, da sua liberdade, dos seus direitos, numa sociedade [...] onde reine a justiça e [...] prevaleça a paz, essa shalom desejada pelos legisladores, pelos profetas e pelos sábios de Israel. [...]

Que desta visita, da concórdia e da serenidade que já conseguimos, nasça uma fonte fresca e benfazeja que nos ajude a sarar as feridas desta nossa cidade de Roma, como o rio que Ezequiel viu sair da porta leste do Templo de Jerusalém (Ez 47,1ss). Assim, conservar-nos-emos, de parte a parte, fiéis aos nossos compromissos mais sagrados, mas também a tudo o que nos une e aproxima mais profundamente: a fé em um só Deus, que ama o estrangeiro e faz justiça ao órfão e à viúva, ensinando-nos a amá-los e a socorrê-los (Dt 10,18; Lv 19,18.34). Foi precisamente do Senhor da Tora, aqui venerado, que os cristãos aprenderam essa vontade, a de Jesus, que levou às últimas consequências o amor por ela exigido.

São João Paulo II (1920-2005) papa Discurso na sinagoga de Roma, 13/4/1986

Santo do Dia