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Liturgia diária

Ascensão do Senhor – solenidade

Domingo, 2 De Junho

Tempo litúrgico

Ascensão do Senhor
A Solenidade da Ascensão de Jesus que hoje celebramos sugere que, no final de um caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, em comunhão com Deus. Sugere, também, que Jesus nos deixou o testemunho e que somos agora nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projecto libertador de Deus para os homens e para o mundo.O Evangelho apresenta-nos as palavras de despedida de Jesus que definem a missão dos discípulos no mundo. Faz, também, referência à alegria dos discípulos: essa alegria resulta do reconhecimento da presença no mundo do projecto salvador de Deus e resulta do facto de a ascensão de Jesus ter acrescentado à vida dos crentes um novo sentido.Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projecto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus - a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo caminho de Jesus. Quanto aos discípulos: eles não podem ficar a olhar para o céu, numa passividade alienante, mas têm de ir para o meio dos homens continuar o projecto de Jesus.A segunda leitura convida os discípulos a terem consciência da esperança a que foram chamados (a vida plena de comunhão com Deus). Devem caminhar ao encontro dessa esperança de mãos dadas com os irmãos - membros do mesmo "corpo" - e em comunhão com Cristo, a "cabeça" desse "corpo". Cristo reside nesse "corpo".

Atos dos Apóstolos 1,1-11.

1 No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio
2 até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos apóstolos que escolhera.
3 Foi também a eles que, depois da sua Paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do Reino de Deus.
4 Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual», disse Ele, «Me ouvistes falar.
5 Na verdade, João batizou com água; vós, porém, sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias».
6 Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?».
7 Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade;
8 mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria, e até aos confins da Terra».
9 Dito isto, elevou-Se à vista deles, e uma nuvem escondeu-O a seus olhos.
10 E estando de olhar fito no céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco,
11 que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o céu».

47(46),2-3.6-9.

R/ Por entre aclamações e ao som da trombeta, ergue-Se Deus, o Senhor.

2 Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
3 porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a Terra.

6 Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
7 Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso rei, cantai.

8 Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
9 Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.

Ep 1,17-23.

17 Irmãos: O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação para O conhecerdes plenamente
18 e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos
19 e a incomensurável grandeza do seu poder para nós, os crentes. Assim
20 o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus,
21 acima de todo o principado, poder, virtude e soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há de vir.
22 Tudo submeteu aos seus pés e pô-lo acima de todas as coisas, como cabeça de toda a Igreja,
23 que é o seu corpo, a plenitude daquele que preenche tudo em todos.

Lucas 24,46-53.

46 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia
47 e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
48 Vós sois testemunhas disso.
49 Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto».
50 Depois, Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os.
51 Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu.
52 Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria.
53 E estavam continuamente no Templo, bendizendo a Deus.

Comentário ao Evangelho

Que o amor nos atraia a segui-lo

«O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-Se à direita de Deus» (Mc 16,19). Partia assim para o lugar de onde era, regressava de um lugar onde continuava a permanecer; com efeito, no momento em que subia ao céu com a sua humanidade, unia pela sua divindade o Céu e a Terra. O que temos de destacar na solenidade de hoje, irmãos bem amados, é a supressão do decreto que nos condenava e do julgamento que nos votava à corrupção. Na verdade, a natureza humana a quem se dirigem estas palavras: «Tu és terra e regressarás à terra» (Gn 3,19), essa natureza subiu hoje ao Céu com Cristo. É por isso, caríssimos irmãos, que temos de segui-l'O com todo o nosso coração, até ao lugar onde sabemos pela fé que Ele subiu com o seu corpo. Fujamos dos desejos da Terra: que nenhum dos lugares cá de baixo nos entrave, a nós que temos um Pai nos céus.

Pensemos também que aquele que subiu aos céus cheio de suavidade regressará com exigências. [...] Eis, meus irmãos, o que deve guiar a vossa ação; pensai nisso continuamente. Mesmo que estejais presos na confusão dos assuntos deste mundo, lançai desde hoje a âncora da esperança para a pátria eterna (Heb 6,19). Que a vossa alma procure apenas a verdadeira luz. Acabamos de ouvir que o Senhor subiu ao céu; pensemos seriamente naquilo em que acreditamos. Apesar das fraquezas da natureza humana, que nos retém ainda cá em baixo, que o amor nos atraia a segui-lo, porque estamos certos de que aquele que nos inspirou este desejo, Jesus Cristo, não nos dececionará na nossa esperança.

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja Homilias sobre os Evangelhos, n.º 29

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