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Liturgia diária

5º Domingo da Páscoa

Domingo, 19 De Maio

Tempo litúrgico

V Domingo do Tempo Pascal
O tema fundamental da liturgia deste domingo é o amor: o que identifica os seguidores de Jesus é a capacidade de amarem até ao dom total da sua vida.
Na primeira leitura, apresenta-se a vida dessas comunidades cristãs chamadas a viver no amor. No meio das vicissitudes e das crises, são comunidades fraternas, onde os irmãos se ajudam, se fortalecem uns aos outros nas dificuldades, se amam e dão testemunho do amor de Deus. É esse projeto que motiva Paulo e Barnabé, e é essa a proposta que eles levam, com a generosidade de quem ama, aos confins da Ásia Menor.
A segunda leitura apresenta-nos a meta final para onde caminhamos: o novo Céu e a nova Terra, a realização da utopia, o rosto final dessa comunidade de chamados a viver no amor.
No evangelho, Jesus despede-Se dos seus discípulos e deixa-lhes em testamento o mandamento novo: «Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei». É nessa entrega radical da vida que se cumpre a vocação cristã, e que se dá testemunho ao mundo do amor materno e paterno de Deus.

Atos dos Apóstolos 14,21b-27.

21 Naqueles dias, Paulo e Barnabé voltaram a Listra, a Icónio e a Antioquia.
22 Iam fortalecendo as almas dos discípulos e exortavam-nos a permanecerem firmes na fé, «porque», diziam eles, «temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus».
23 Estabeleceram anciãos em cada Igreja, depois de terem feito orações acompanhadas de jejum, e encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham acreditado.
24 Atravessaram então a Pisídia e chegaram à Panfília;
25 depois, anunciaram a palavra em Perga e desceram até Atalia.
26 De lá embarcaram para Antioquia, de onde tinham partido, confiados na graça de Deus, para a obra que acabavam de realizar.
27 À chegada, convocaram a Igreja, contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé.

145(144),8-9.10-11.12-13ab.

8 O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
9 O Senhor é bom para com todos,
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

10 Graças Vos deem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
11 Proclamem a glória do vosso Reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

12 Para darem a conhecer aos homens o vosso poder,
a glória e o esplendor do vosso Reino.
13 O vosso Reino é um Reino eterno,
13 o vosso domínio estende-se por todas as gerações.

Apocalipse 21,1-5a.

1 Eu, João, vi um novo céu e uma nova Terra, porque o primeiro céu e a primeira Terra tinham desaparecido, e o mar já não existia.
2 E vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, bela como noiva adornada para o seu esposo.
3 Do trono ouvi uma voz forte que dizia: «Eis a morada de Deus com os homens. Deus habitará com os homens: eles serão o seu povo, e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus.
4 Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; nunca mais haverá morte nem luto, nem gemidos nem dor, porque o mundo antigo desapareceu».
5 Disse então Aquele que estava sentado no trono: «Vou renovar todas as coisas».

João 13,31-33a.34-35.

31 Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem, e Deus foi glorificado nele.
32 Se Deus foi glorificado nele, também Deus O glorificará em Si mesmo e glorificá-lo-á sem demora.
33 Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco.
34 Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.
35 Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».

Comentário ao Evangelho

«Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros»

«Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros». [...] Na verdade, este mandamento renova o homem que o ouve, ou melhor, que lhe obedece; não se trata, porém, do amor puramente humano, mas daquele que o Senhor quis distinguir, acrescentando: «Como Eu vos amei», [...] «para os membros terem a mesma solicitude uns para com os outros. Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1Cor 12,25-26). Porque eles ouvem e observam a palavra do Senhor: «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros». Não como se amam os que vivem na corrupção da carne; nem como se amam os seres humanos apenas como seres humanos; mas como se amam aqueles que são «deuses» (Jo 10,35) e «filhos do Altíssimo» (Lc 6,35). Deste modo, tornam-se irmãos do Filho Unigénito de Deus, amando-se uns aos outros com aquele amor com que Ele os amou, e por Ele serão reconduzidos à plenitude final, onde os seus desejos serão completamente saciados de bens. Então nada faltará à sua felicidade, quando Deus for «tudo em todos» (1Cor 15,28). [...]

Aquele que ama o seu semelhante com espiritual e puro amor, não amará nele senão a Deus? É para distinguir este amor da afeição puramente natural que o Senhor acrescenta: «como Eu vos amei», pois quem amou Ele em nós a não ser o próprio Pai? Não o Pai tal como já O possuímos, mas tal como Ele pretende que O possuamos quando Deus for «tudo em todos». O médico ama os seus doentes não por causa da doença, mas por causa da saúde que quer restituir-lhes: «que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei». Foi para isto que Ele nos amou, para que nos amássemos uns aos outros.

Santo Agostinho (354-430) bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja Tratado 65 sobre o Evangelho segundo São João, 1-2

Santo do Dia