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Liturgia diária

4º Domingo da Páscoa

Domingo, 12 De Maio

Tempo litúrgico

IV Domingo do Tempo Pascal
O IV Domingo do Tempo Pascal é o Domingo do Bom Pastor, em que a liturgia propõe um trecho do capítulo 10 do Evangelho de São João, no qual Jesus é apresentado como Bom Pastor. A primeira leitura propõe-nos duas atitudes diferentes diante da proposta que o Pastor (Cristo) nos apresenta. De um lado, estão as ovelhas cheias de autossuficiência, satisfeitas e comodamente instaladas nas suas certezas; do outro, estão as ovelhas permanentemente atentas à voz do Pastor, que estão dispostas a arriscar segui-lo até às pastagens da vida abundante. É esta última atitude que nos é proposta.A segunda leitura apresenta a meta final do rebanho que seguiu Jesus, o Bom Pastor: a vida total, de felicidade sem fim.
O evangelho apresenta Cristo como o Bom Pastor, cuja missão é trazer a vida plena às ovelhas do seu rebanho; as ovelhas, por sua vez, são convidadas a escutar o Pastor, a acolher a sua proposta e a segui-lo: dessa forma, encontrarão a vida em plenitude.
 

Atos dos Apóstolos 13,14.43-52.

14 Naqueles dias, Paulo e Barnabé seguiram de Perga até Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se.
43 Terminada a reunião da sinagoga, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, que nas suas conversas com eles os exortavam a perseverar na graça de Deus.
44 No sábado seguinte, reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra do Senhor.
45 Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias às palavras de Paulo.
46 Corajosamente, Paulo e Barnabé declararam: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Mas, uma vez que a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios,
47 porque assim nos mandou o Senhor: "Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da Terra"».
48 Ao ouvirem isto, os gentios encheram-se de alegria e glorificaram a palavra do Senhor; e todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé.
49 Assim, a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região.
50 Mas os judeus instigaram algumas senhoras piedosas mais distintas, bem como os homens principais da cidade, e moveram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, expulsando-nos do território.
51 Estes sacudiram contra eles a poeira dos pés e seguiram para Icónio.
52 Entretanto, os discípulos ficavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

100(99),2.3.5.

R/ Nós somos o povo de Deus, as ovelhas do seu rebanho.

2 Aclamai o Senhor, Terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo.

3 Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

5 Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração.

Apocalipse 7,9.14b-17.

9 Eu, João, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão.
14 Um dos anciãos tomou a palavra para me dizer: «Estes são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro.
15 Por isso estão diante do trono de Deus, servindo-O dia e noite no seu Templo. Aquele que está sentado no trono abrigá-los-á na sua tenda.
16 Nunca mais terão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles.
17 O Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água viva. E Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos».

João 10,27-30.

27 Naquele tempo, disse Jesus: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me.
28 Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.
29 Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos, e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai.
30 Eu e o Pai somos um só».

Comentário ao Evangelho

«Dou-lhes a vida eterna»

O Senhor diz: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna». Delas tinha dito um pouco antes: «Se alguém entrar por Mim, será salvo; poderá entrar e sair e encontrará pastagem» (Jo 19,9). Entrará efetivamente, abrindo-se à fé; sairá passando da fé à visão e à contemplação, e encontrará pasto abundante no banquete eterno.

As suas ovelhas, portanto, encontram pastagens, porque todo aquele que O segue na simplicidade de coração é nutrido com um alimento de eterna frescura. Que são afinal as pastagens destas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? O alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem interrupção, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida.

Procuremos pois, irmãos caríssimos, alcançar estas pastagens, onde poderemos alegrar-nos na companhia dos cidadãos do Céu. A alegria festiva dos bem-aventurados nos estimule. Reanimemos o nosso espírito, irmãos; afervore-se a nossa fé nas verdades em que acreditamos; inflame-se a nossa inspiração pelas coisas do Céu. Amar assim já é caminhar. Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade interior. Se alguém, com efeito, deseja atingir um lugar determinado, não há obstáculo no caminho que o demova do seu intento. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que, contemplando a beleza da paisagem, se esquecesse de continuar a sua viagem até ao fim.

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja Homilias sobre o evangelho, n.º 14 (trad. Breviário)

Santo do Dia