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Liturgia diária

Sábado Santo – vigília pascal

Sábado, 20 De Abril Cor litúrgica: Branco

Êxodo 14,15-31.15,1a.

15 Naqueles dias, disse o Senhor a Moisés: «Porque estás a bradar por Mim? Diz aos filhos de Israel que se ponham em marcha.
16 E tu, ergue a tua vara, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel entrem nele a pé enxuto.
17 Entretanto, vou permitir que se endureça o coração dos egípcios, que hão de perseguir os filhos de Israel. Manifestarei então a minha glória, triunfando do faraó, de todo o seu exército, dos seus carros e dos seus cavaleiros.
18 Os egípcios reconhecerão que Eu sou o Senhor, quando Eu manifestar a minha glória, vencendo o faraó, os seus carros e os seus cavaleiros».
19 O anjo de Deus, que seguia à frente do acampamento de Israel, deslocou-se para a retaguarda. A coluna de nuvem que os precedia veio colocar-se atrás do acampamento
20 e postou-se entre o campo dos egípcios e o de Israel. A nuvem era tenebrosa de um lado e do outro iluminava a noite, de modo que, durante a noite, não se aproximaram uns dos outros.
21 Moisés estendeu a mão sobre o mar e o Senhor fustigou o mar, durante a noite, com um forte vento de leste. O mar secou e as águas dividiram-se.
22 Os filhos de Israel penetraram no mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam muralha à direita e à esquerda.
23 Os egípcios foram atrás deles: todos os cavalos do Faraó, os seus carros e cavaleiros seguiram-nos pelo mar dentro.
24 Na vigília da manhã, o Senhor olhou da coluna de fogo e da nuvem para o acampamento dos egípcios e lançou nele a confusão.
25 Bloqueou as rodas dos carros, que dificilmente se podiam mover. Então os egípcios disseram: «Fujamos dos israelitas, que o Senhor combate por eles contra os egípcios».
26 O Senhor disse a Moisés: «Estende a mão sobre o mar e as águas precipitar-se-ão sobre os egípcios, sobre os seus carros e os seus cavaleiros».
27 Moisés estendeu a mão sobre o mar e, ao romper da manhã, o mar retomou o seu nível normal, quando os egípcios fugiam na sua direção. E o Senhor precipitou-os no meio do mar.
28 As águas refluíram e submergiram os carros, os cavaleiros e todo o exército do Faraó, que tinham entrado no mar, atrás dos filhos de Israel. Nem um só escapou.
29 Mas os filhos de Israel tinham andado pelo mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam muralha à direita e à esquerda.
30 Nesse dia, o Senhor salvou Israel das mãos dos egípcios e Israel viu os egípcios mortos nas praias do mar.
31 Viu também o grande poder que o Senhor exercera contra os egípcios, e o povo temeu o Senhor, acreditou nele e em seu servo Moisés.
1 Então Moisés e os filhos de Israel cantaram este hino em honra do Senhor:

Êxodo 15,1b-2.3-4.5-6.17-18.

R/ Deus fez maravilhas: o seu nome é Senhor.

1 Cantarei ao Senhor, que fez brilhar a sua glória
precipitou no mar o cavalo e o cavaleiro.
2 O Senhor é a minha força e a minha proteção:
a Ele devo a minha liberdade.

Ele é o meu Deus: eu O exalto,
Ele é o Deus de meu pai: eu O glorifico.
3 O Senhor é um guerreiro, Omnipotente é o seu nome;
4 precipitou no mar os carros do faraó e o seu exército.

Os seus melhores combatentes afogaram-se no mar Vermelho,
5 foram engolidos pelas ondas, caíram como pedra no abismo.
6 A vossa mão direita, Senhor, revelou a sua força,
a vossa mão direita, Senhor, destroçou o inimigo.
17 Mas conduzistes com amor o povo que libertastes
e com o vosso poder o levastes à vossa morada santa,

à morada segura que fizestes, Senhor.
18 O Senhor reinará pelos séculos dos séculos.

Romanos 6,3-11.

3 Irmãos: Todos nós, que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte.
4 Fomos sepultados com Ele pelo batismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.
5 Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo pela semelhança da sua morte, também o estaremos pela semelhança da sua ressurreição.
6 Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destruído o corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele.
7 Quem morreu, está livre do pecado.
8 Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos,
9 sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele.
10 Porque, na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida é uma vida para Deus.
11 Assim vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.

Lucas 24,1-12.

1 No primeiro dia da semana, ao romper da alva, as mulheres foram ao sepulcro, levando os perfumes que haviam preparado.
2 Encontraram removida a pedra da porta do sepulcro
3 e, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus.
4 Estando elas perplexas com o caso, apareceram-lhes dois homens em trajes resplandecentes.
5 Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, eles disseram-lhes: «Porque buscais o Vivente entre os mortos?
6 Não está aqui; ressuscitou! Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia,
7 dizendo que o Filho do Homem havia de ser entregue às mãos dos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia».
8 Recordaram-se, então, das suas palavras.
9 Voltando do sepulcro, foram contar tudo isto aos Onze e a todos os restantes.
10 Eram elas Maria de Magdala, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam com elas diziam isto aos Apóstolos;
11 mas as suas palavras pareceram-lhes um desvario, e eles não acreditaram nelas.
12 Pedro, no entanto, pôs-se a caminho e correu ao sepulcro. Debruçando-se, apenas viu as ligaduras e voltou para casa, admirado com o sucedido.

Comentário ao Evangelho

«Diante de Ti, as trevas não são trevas e a noite ilumina como o dia» (Sl 138,12)

Nós, os mortais, temos de dormir para recuperar forças, e portanto interrompemos a nossa vida com essa imagem da morte, que, apesar de tudo, nos deixa resquícios de vida. Dessa forma, todos quantos vigiam na castidade, na inocência e no fervor estão a preparar-se para a vida com os anjos; contra o fardo da morte, encontram graça na eternidade. [...] Agora, meus irmãos, escutai algumas palavras que vou dizer-vos sobre a vigília desta noite. [...]

Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou de entre os mortos no terceiro dia: nenhum cristão duvida disso. Os santos evangelhos atestam que tal acontecimento ocorreu esta noite. [...] Não é da luz para as trevas, mas das trevas para a luz, que nos esforçamos por subir. Pede-no-lo o apóstolo Paulo: «A noite está bem avançada; o dia chegou. Deixemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz» (Rom 13,12). [...] Vigiemos, pois, nesta noite em que o Senhor ressuscitou e deu início, na sua própria carne, à vida de que há pouco vos falava, a vida que não conhece a morte nem o sono. E esta carne que surgiu do túmulo não morrerá e não tornará a cair sob a lei da morte.

As mulheres que O amavam vieram de madrugada visitar o túmulo; em vez de encontrarem o seu corpo, ouviram uns anjos a anunciar-lhes a ressurreição, pois Ele ressuscitou na noite que precedeu esta madrugada. Aquele cuja ressurreição celebramos na nossa longa vigília permitir-nos-á reinar com Ele numa vida sem fim. E mesmo que, na hora em que velamos, o seu corpo estivesse ainda no túmulo e não tivesse ressuscitado, a nossa vigília manteria todo o seu sentido: porque Ele adormeceu para que nós vigiemos, Ele morreu para que nós vivamos.

Santo Agostinho (354-430) bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja Segunda Homilia para a Noite Santa

Santo do Dia