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Liturgia diária

1º Domingo da Quaresma

Domingo, 10 De Março Cor litúrgica: Roxo

Tempo litúrgico

1º Domingo da Quaresma
No início da Quaresma, a Palavra de Deus apela-nos a repensar as nossas opções de vida e a tomar consciência dessas "tentações" que nos impedem de renascer para a vida nova, para a vida de Deus.A primeira leitura convida-nos a eliminar os falsos deuses em quem às vezes apostamos tudo e a fazer de Deus a nossa referência fundamental. Alerta-nos, na mesma lógica, contra a tentação do orgulho e da auto-suficiência, que nos levam a caminhos de egoísmo e de desumanidade, de desgraça e de morte.O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Lucas sugere que Jesus recusou radicalmente um caminho de materialismo, de poder, de êxito fácil, pois o plano de Deus não passava pelo egoísmo, mas pela partilha; não passava pelo autoritarismo, mas pelo serviço; não passava por manifestações espectaculares que impressionam as massas, mas por uma proposta de vida plena, apresentada com simplicidade e amor. É claro que é esse caminho que é sugerido aos que seguem Jesus.A segunda leitura convida-nos a prescindir de uma atitude arrogante e auto-suficiente em relação à salvação que Deus nos oferece: a salvação não é uma conquista nossa, mas um dom gratuito de Deus. É preciso, pois, "converter-se" a Jesus, isto é, reconhecê-lo como o "Senhor" e acolher no coração a salvação que, em Jesus, Deus nos propõe.

Deuteronómio 26,4-10.

4 Moisés falou ao povo, dizendo: «O sacerdote receberá da tua mão as primícias dos frutos da terra e colocá-las-á diante do altar do Senhor, teu Deus.
5 E diante do Senhor, teu Deus, dirás as seguintes palavras: "Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito com poucas pessoas, e aí viveu como estrangeiro, até se tornar uma nação grande, forte e numerosa.
6 Mas os egípcios maltrataram-nos, oprimiram-nos e sujeitaram-nos a dura escravidão.
7 Então, invocámos o Senhor, Deus dos nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz, viu a nossa miséria, o nosso sofrimento e a opressão que nos dominava.
8 O Senhor fez-nos sair do Egito com mão poderosa e braço estendido, espalhando um grande terror e realizando sinais e prodígios.
9 Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra, uma terra onde corre leite e mel.
10 E agora, venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra que me destes, Senhor". Então, colocarás diante do Senhor, teu Deus, as primícias dos frutos da terra e te prostrarás diante do Senhor, teu Deus».

91(90),1-2.10-11.12-13.14-15.

1 Tu, que habitas sob a proteção do Altíssimo,
moras à sombra do Omnipotente,
2 diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela;
meu Deus, em Vós confio».

10 Nenhum mal te acontecerá,
nem a desgraça se aproximará da tua morada.
11 Porque Ele mandará aos seus anjos
que te guardem em todos os teus caminhos.

12 Na palma das mãos te levarão,
para que não tropeces em alguma pedra.
13 Poderás andar sobre víboras e serpentes,
calcar aos pés o leão e o dragão.

14 «Porque confiou em Mim, hei de salvá-lo;
hei de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.
15 Quando Me invocar, hei de atendê-lo,
estarei com ele na tribulação,
hei de libertá-lo e dar-lhe glória».

Romanos 10,8-13.

8 Irmãos: Que diz a Escritura? «A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração». Esta é a palavra da fé que nós pregamos.
9 Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e se acreditares no teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo.
10 Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação.
11 Na verdade, a Escritura diz: «Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido».
12 Não há diferença entre judeu e grego: todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que O invocam.
13 Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

Lucas 4,1-13.

1 Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão.
2 Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome.
3 O diabo disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão».
4 Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: "Nem só de pão vive o homem"».
5 O diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da Terra
6 e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser.
7 Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu».
8 Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: "Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto"».
9 Então o Diabo levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do Templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo,
10 porque está escrito: "Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito, para que te guardem";
11 e ainda: "Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra"».
12 Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: "Não tentarás o Senhor teu Deus"».
13 Então o diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus até certo tempo.

Comentário ao Evangelho

«Assim como, pela desobediência de um só, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornaram justos» (Rom 5,19)

O demónio atacou o primeiro homem, nosso pai, com uma tripla tentação: tentou-o pela gula, pela vaidade e pela avidez; esta tentativa de sedução resultou, pois o homem, ao dar o seu consentimento, ficou submetido ao demónio. Tentou-o pela gula, mostrando-lhe na árvore o fruto proibido e convidando-o a comê-lo; tentou-o pela vaidade, dizendo-lhe: «Sereis como deuses»; tentou-o enfim pela avidez, ao dizer-lhe: «Conhecereis o bem e o mal» (Gn 3,5). Porque ser ávido não é apenas desejar o dinheiro, mas também qualquer situação vantajosa; é desejar qualquer situação elevada para além do razoável. [...]

O demónio foi vencido por Cristo, que O tentou de um modo semelhante àquele pelo qual tinha vencido o primeiro homem. Como da primeira vez, tentou-O pela gula: «Ordena a estas pedras que se transformem em pães»; pela vaidade: «Se és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo»; e pelo desejo intenso de uma situação confortável, mostrando-Lhe todos os reinos do mundo e dizendo-Lhe: «Dar-Te-ei tudo isto se, prostrado a meus pés, me adorares». [...]

Notemos o seguinte no episódio das tentações do Senhor: tentado pelo demónio, Ele ripostou com textos da Sagrada Escritura. Poderia ter lançado o seu tentador no abismo; mas não recorreu ao seu infinito poder, limitando-Se a pôr em primeiro lugar os preceitos da Sagrada Escritura. Deste modo, mostrou-nos como podemos suportar as provas, para que, quando os maus nos fazem sofrer, recorramos à boa doutrina e não à vingança. Comparai a paciência de Deus com a nossa impaciência: nós, quando recebemos injúrias ou sofremos uma ofensa, na nossa fúria, vingamo-nos ou ameaçamos fazê-lo; o Senhor, pelo contrário, suporta os ataques do demónio e responde-lhe com palavras de paz.

São Gregório Magno (c. 540-604) papa, doutor da Igreja Catequeses sobre o Evangelho, nº 16

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