Liturgia diária
Cinco Chagas do Senhor – festa
Tempo litúrgico
Cinco Chagas de Cristo
O culto das Cinco Chagas do Senhor, isto é, as feridas que Cristo recebeu na cruz e manifestou aos apóstolos depois da ressurreição, é uma devoção muito viva entre os portugueses desde os começos da nacionalidade. São disso testemunho a literatura religiosa e a onomástica referente a pessoas e a instituições. Os Lusíadas sintetizam (1,7) o simbolismo que tradicionalmente relaciona as armas da bandeira nacional com as chagas de Cristo. Assim, os papas, a partir de Bento XIV, concederam para os povos de língua portuguesa esta festa particular, que ultimamente veio a ser fixada neste dia.
Noutros países, celebra-se a missa da féria.
Isaías 53,1-10.
1 Quem acreditou no que ouvimos dizer? A quem se revelou o braço do Senhor?
2 O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar nem aspeto agradável que possa cativar-nos.
3 Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós.
4 Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado.
5 Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados.
6 Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós.
7 Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca.
8 Foi eliminado por sentença iníqua, mas quem se preocupa com a sua sorte? Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do seu povo.
9 Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça nem se tivesse encontrado mentira na sua boca.
10 Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias e a obra do Senhor prosperará em suas mãos.
22(21),7-8.15-23.
7 Eu sou um verme e não um homem,
o opróbrio dos homens e o desprezo da plebe.
8 Todos os que me veem escarnecem de mim,
estendem os lábios e meneiam a cabeça.
15 Sou como água derramada,
desconjuntam-se todos os meus ossos.
O meu coração tornou-se como cera
e derreteu-se dentro do meu peito.
16 A minha garganta secou-se como barro cozido
e a minha língua pegou-se-me ao céu da boca;
reduziste-me ao pó da sepultura.
17 Matilhas de cães me rodearam,
cercou-me um bando de malfeitores.
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
18 posso contar todos os meus ossos.
Eles olham para mim cheios de espanto!
19 Repartiram entre si as minhas vestes
e deitaram sortes sobre a minha túnica.
20 Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,
sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.
21 Livra a minha alma da espada,
e das garras dos cães a minha vida.
22 Salvai-me das fauces do leão
e dos chifres dos búfalos livrai este infeliz.
23 Hei de falar do vosso nome aos meus irmãos,
hei de louvar-Vos no meio da assembleia.
João 19,28-37.
28 Naquele tempo, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: «Tenho sede».
29 Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca.
30 Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, expirou.
31 Por ser a Preparação da Páscoa, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado – era um grande dia, aquele sábado –, os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
32 Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com Ele.
33 Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas,
34 mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
35 Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis.
36 Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado».
37 Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão de olhar para aquele que trespassaram».
Comentário ao Evangelho
O martírio de Santo André, apóstolo
«Oh cruz há tanto tempo desejada, oferecida agora às aspirações da minha alma, venho a ti com gozo e confiança. Recebe‐me com alegria, a mim, discípulo daquele que pendeu em teus braços.» Assim falava Santo André [segundo a tradição] vendo ao longe a cruz que fora erigida para o seu suplício. De onde vinham a este homem alegria e exaltação tão espantosas? De onde provinha tanta constância num ser tão frágil? De onde obtinha este homem uma alma tão espiritual, uma caridade tão fervorosa e uma vontade tão forte? Não julguemos que encontrava tão grande coragem em si próprio: era o dom perfeito que descia do Pai das luzes (Tg 1,17), daquele que é o único que opera maravilhas. Era o Espírito Santo que vinha em auxílio da sua fraqueza, e que espalhava no seu coração um amor forte como a morte, e mesmo mais forte do que a morte (Ct 8,6).
Queira Deus que também nós participemos hoje nesse Espírito! Porque se agora o esforço da conversão nos é penoso, se velar em oração nos aborrece, é unicamente devido à nossa indigência espiritual. Se o Espírito Santo estivesse connosco, viria seguramente ajudar-nos na nossa fraqueza. O que fez por santo André face à cruz e à morte, fá-lo-ia também por nós: retirando ao labor da conversão o seu carácter penoso, torná-lo-ia desejável e mesmo delicioso. […] Irmãos, procuremos este Espírito, envidemos todos os nossos esforços para O possuir, ou possuí-l'Omais plenamente se O tivermos já. Porque «se alguém não tem o espírito de Cristo, não Lhe pertence» (Rom 8,9). «Nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus» (1Cor 2,12). […] Devemos pois tomar a nossa cruz com santo André, ou antes, com aquele que ele seguiu, o Senhor, nosso Salvador. A causa da sua alegria era que, não só morria com Ele, mas como Ele, e que, unido tão intimamente à sua morte, reinaria com Ele. […] Porque a nossa salvação está nesta cruz.
Santo do Dia
Continuar a celebrar
Também pode interessar
Encontre outros conteúdos relacionados com a liturgia e a vida sacramental da comunidade.