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Liturgia diária

Quinta-feira da 2ª semana do Tempo Comum

Quinta-Feira, 24 De Janeiro Cor litúrgica: Verde

He 7,25-28.8,1-6.

25 Irmãos: Jesus pode salvar para sempre aqueles que por seu intermédio se aproximam de Deus, porque vive perpetuamente para interceder por eles.
26 Tal era, na verdade, o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos Céus.
27 Ele não tem necessidade, como os outros sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiro pelos seus pecados, depois pelos pecados do povo, porque o fez de uma vez para sempre quando Se ofereceu a Si mesmo.
28 A Lei constitui sumos sacerdotes homens revestidos de fraqueza, mas a palavra do juramento, posterior à Lei, estabeleceu o Filho sumo sacerdote perfeito para sempre.
1 O ponto principal de tudo quanto acabamos de dizer é este: Nós temos um sumo sacerdote que está sentado nos Céus, à direita do trono da divina majestade.
2 Ele é ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, que foi construído pelo Senhor e não pelo homem.
3 Na verdade, todo o sumo sacerdote é constituído para oferecer oblações e sacrifícios; por isso era necessário que Jesus tivesse também alguma coisa para oferecer.
4 Ora, se Ele estivesse na Terra, nem sequer seria sacerdote, porque há outros que oferecem as oblações segundo a Lei.
5 Estes exercem um culto que é apenas imagem e sombra das realidades celestes, conforme foi divinamente revelado a Moisés, quando estava para construir o tabernáculo: «Olha», disse-lhe o Senhor, «farás tudo segundo o modelo que te foi mostrado no monte».
6 Mas Jesus obteve um ministério tanto mais elevado quanto mais perfeita é a aliança de que Ele é mediador, a qual foi estabelecida sobre melhores promessas.

40(39),7-8a.8b-9.10.17.

R/ Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

7 Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,
mas abristes-me os ouvidos;
não pedistes holocaustos nem expiações,
8 então clamei: «Aqui estou.

8 De mim está escrito no livro da Lei
9 que faça a vossa vontade.
Assim o quero, ó meu Deus,
a vossa lei está no meu coração».

10 Proclamei a justiça na grande assembleia,
não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

17 Alegrem-se e exultem em Vós
todos os que Vos procuram.
Digam sempre: «Grande é o Senhor»
os que desejam a vossa salvação.

Marcos 3,7-12.

7 Naquele tempo, Jesus retirou-Se com os seus discípulos a caminho do mar e acompanhou-O uma numerosa multidão que tinha vindo da Galileia.
8 Também da Judeia e de Jerusalém, da Idumeia e da Transjordânia, e dos arredores de Tiro e de Sidónia, veio ter com Jesus uma grande multidão, por ouvir contar tudo o que Ele fazia.
9 Disse então aos seus discípulos que Lhe preparassem uma barca, para que a multidão não O apertasse.
10 Como tinha curado muita gente, todos os que sofriam de algum padecimento corriam para Ele, a fim de Lhe tocarem.
11 Os espíritos impuros, quando viam Jesus, caíam a seus pés e gritavam: «Tu és o Filho de Deus».
12 Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer.

Comentário ao Evangelho

«Todos os que sofriam de algum padecimento corriam para Ele, a fim de Lhe tocarem»

Segui o exemplo de Nosso Senhor, que quis sofrer a sua Paixão para assim aprender a compaixão, sujeitar-Se à miséria para assim compreender os miseráveis. Tal como «aprendeu a obedecer, sofrendo» (Heb 5,8), quis aprender também a misericórdia. [...] Talvez acheis bizarro o que acabo de dizer de Cristo: Ele que é a sabedoria de Deus (1 Cor 1,24), que tinha Ele a aprender? [...]

Reconheceis que ele é Deus e homem numa só pessoa. Enquanto Deus, é eterno, teve sempre conhecimento de tudo; enquanto homem, nascido no tempo, aprendeu muitas coisas no tempo. Desde que começou a ser na nossa carne, começou também a aprender pela experiência as misérias da carne. Teria sido mais feliz e sensato os nossos primeiros pais não terem tido de fazer esta experiência, mas o seu Criador «veio procurar aquele que estava perdido» (Lc 19,10). Teve pena da sua obra e veio procurá-la, descendo misericordiosamente para onde ela tinha perecido miseravelmente. [...]

Não foi simplesmente para partilhar a sua desgraça, mas por empatia com a sua miséria e para os libertar: para Se tornar misericordioso, não como Deus, na sua felicidade eterna, mas como homem que partilha a situação dos homens. [...] Maravilhosa lógica de amor! Como teríamos nós podido conhecer esta misericórdia admirável se ela não Se tivesse inclinado sobre a miséria existente? Como teríamos podido compreender a compaixão de Deus se ela tivesse permanecido humanamente estranha ao sofrimento? [...] À misericórdia de Deus, Cristo uniu pois a de um homem, sem a mudar, mas multiplicando-a, como está escrito: «Tu salvarás os homens e os animais, Senhor. Ó Deus, como fizeste abundar a tua misericórdia!» (Sl 35,7-8 Vulg).

São Bernardo (1091-1153) monge cisterciense, doutor da Igreja «Os graus de humildade e de orgulho», cap 3, §§ 6.12

Santo do Dia