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Liturgia diária

18 de dezembro

Terça-Feira, 18 De Dezembro Cor litúrgica: Branco

Tempo litúrgico

Nossa Senhora do Ó
Esta festa, conhecida entre o povo português como de Nossa Senhora do Ó, celebra o desejo de Maria, o desejo de milhares de gerações que suspiraram, que suspiram pela vinda do Messias.Não é só a ansiedade natural da mãe jovem que espera o seu primogénito; é o desejo sobrenatural da "bendita entre todas as mulheres", que foi escolhida para Mãe do Salvador de cada homem e de toda a humanidade. O Filho que vai nascer não vem simplesmente para beijar e sorrir para a Sua Mãe, mas para resgatar o povo com o Seu Sangue.Por estes dias, a Igreja canta as chamadas "antífonas maiores", que começam todas pela interjeição Ó. Maria, Senhora do Ó, é o modelo e a inspiradora deste louvor alegre e suplicante; ela é o centro dos desejos do povo de Israel e de todo o povo de Deus que, no fundo do seu coração, vive o advento do Salvador.

Jeremias 23,5-8.

5 «Dias virão», diz o Senhor, «em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria: há de exercer no país o direito e a justiça.
6 Nos seus dias, Judá será salvo e Israel viverá em segurança. Este será o seu nome: "O Senhor é a nossa justiça".
7 Por isso, dias virão, oráculo do Senhor, em que já não se dirá: "Vive o Senhor, que fez sair os filhos de Israel da terra do Egito";
8 mas sim: "Vive o Senhor, que fez sair e regressar os descendentes da casa de Israel da região do norte e de todos os países em que os tinha dispersado, para poderem habitar na sua própria terra"».

72(71),2.12-13.18-19.

R/ Nos dias do Senhor, nascerá a justiça e a paz para sempre.

2 Deus, concedei ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

12 Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
13 Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.

18 Bendito seja o Senhor, Deus de Israel:
só Ele faz maravilhas.
19 Bendito para sempre o seu nome glorioso:
toda a Terra se encha da sua glória.

Mateus 1,18-24.

18 O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo.
19 Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo.
20 Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo.
21 Ela dará à luz um Filho, e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».
22 Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz:
23 «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado Emanuel, que quer dizer Deus connosco».
24 Quando despertou do sono, José fez como o anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.

Comentário ao Evangelho

«Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara»

O clima de silêncio que acompanha tudo o que se refere à figura de José estende-se também ao trabalho de carpinteiro na casa de Nazaré. É um silêncio que desvenda de maneira especial o perfil interior desta figura. Os evangelhos falam exclusivamente daquilo que José fez; mas permitem-nos auscultar nas suas açõe», envolvidas pelo silêncio, um clima de profunda contemplação. José estava quotidianamente em contacto com o mistério «escondido desde todos os séculos», que «estabeleceu a sua morada» sob o teto de sua casa (Col 1,26; Jo 1,14). [...]

Uma vez que o amor paterno de José não podia deixar de influir sobre o amor filial de Jesus e, reciprocamente, o amor filial de Jesus não podia deixar de influir sobre o amor paterno de José, como chegar a conhecer as profundezas desta singularíssima relação? As almas mais sensíveis aos impulsos do amor divino veem com muita razão em José um exemplo luminoso de vida interior. Mais ainda, a aparente tensão entre a vida ativa e a vida contemplativa tem em José uma superação ideal, possível para quem possui a perfeição da caridade. Atendo-nos à conhecida distinção entre o amor da verdade e as exigências do amor, podemos dizer que José experimentou, quer o amor da verdade, ou seja, o puro amor de contemplação da Verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo, quer as exigências do amor, isto é, o amor igualmente puro do serviço, requerido pela proteção e pelo desenvolvimento dessa mesma humanidade.

São João Paulo II (1920-2005) papa Carta apostólica «Redemptoris Custos», §§ 25-27 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)

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