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Liturgia diária

3º Domingo do Advento

Domingo, 16 De Dezembro Cor litúrgica: Roxo

Tempo litúrgico

Terceiro Domingo do Advento
O tema deste terceiro Domingo pode girar à volta da pergunta: "E nós, que devemos fazer?". Preparar o "caminho" por onde o Senhor vem, significa questionar os nossos limites, o nosso egoísmo e comodismo e operar uma verdadeira transformação da nossa vida no sentido de Deus.O Evangelho sugere três aspectos onde essa transformação é necessária: é preciso sair do nosso egoísmo e aprender a partilhar; é preciso quebrar os esquemas de exploração e de imoralidade e proceder com justiça; é preciso renunciar à violência e à prepotência e respeitar absolutamente a dignidade dos nossos irmãos. O Evangelho avisa-nos, ainda, que o cristão é "baptizado no Espírito", recebe de Deus vida nova, e tem de viver de acordo com essa dinâmica.A primeira leitura sugere que, no início, no meio e no fim desse "caminho de conversão", espera-nos o Deus que nos ama. O seu amor não só perdoa as nossas faltas, mas provoca a conversão, transforma-nos e renova-nos. Daí o convite à alegria: Deus está no meio de nós, ama-nos e, apesar de tudo, insiste em fazer caminho connosco.A segunda leitura insiste nas atitudes correctas que devem marcar a vida de todos os que querem acolher o Senhor: alegria, bondade, oração.
1º dia da novena de Natal
Começamos hoje a novena de Natal. Durante nove dias, preparamos os nossos corações para o grande acontecimento,para a celebração do nascimento do Filho de Deus na carne. Preparamo-nos na oração, mas sobretudo no louvor. Durante estes dias, na oração de Vésperas, a Igreja entoa aquilo a que chamamos "Antífonas Maiores". São cânticos de deslumbramento perante o grande amor de Deus nosso Pai. Cada antífona começa pelo grito: "Oh!", com a boca arredondada pelo espanto, pela surpresa, pelo enconro com este Deus misericordioso que se faz criança.Começamos com uma invocaçãp que recorda os livros poéticos do Antigo Testamento: "Oh Sabedoria do Altíssimo, ...". A Sabedoria de Deus, diz a Bíblia (Pr 8, 22-31), estava presente no momento da criação - era o Verbo de Deus, o Filho Único, gerado mas não criado, de que nos fala o prólogo de S. João (1, 1-2).Pedimos-lhe que venho "ensinar-nos o caminho da Salvação". Aquele que era, que é e que vem é o mesmo que um dia disse: "Eu sou o caminho" (Jo 14,6).Ó Sabedoria do Altíssimo, que tudo governais com firmeza e suavidade: vinde ensinar-nos o caminho da salvação.

So 3,14-18a.

14 Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém.
15 O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Deus de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal.
16 Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos.
17 O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa,
18 como nos dias de festa».

Isaías 12,2-3.4bcd.5-6.

R/ Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

2 Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.

3 Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
4 Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome.
4 Anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
4 proclamai a todos que o seu nome é santo.

5 Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a Terra.
6 Entoai cânticos de alegria e exultai, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

Ph 4,4-7.

4 Irmãos: Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos.
5 Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo.
6 Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e ações de graças.
7 E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

Lucas 3,10-18.

10 Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Batista: «Que devemos fazer?».
11 Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo».
12 Vieram também alguns publicanos para serem batizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?».
13 João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito».
14 Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo».
15 Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias,
16 João tomou a palavra e disse-lhes: «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo».
17 Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga».
18 Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a boa nova».

Comentário ao Evangelho

«Com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova»

João não falou apenas no seu tempo, anunciando o Senhor aos fariseus e dizendo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas» (Mt 3,3). Ainda hoje ele brada em nós e o trovão da sua voz abala o deserto dos nossos pecados. [...] A sua voz ressoa ainda hoje, dizendo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». [...] Pede-nos que preparemos o caminho do Senhor [...] pela pureza da nossa fé. O Senhor não toma os caminhos deste mundo, mas penetra no segredo dos corações. Se esta estrada for áspera devido aos maus costumes, for dura pela nossa brutalidade, estiver manchada pelo nosso comportamento, pede-nos que a limpemos, que a aplanemos, que a nivelemos. Deste modo, aquando da sua vinda, o Senhor não tropeçará, mas encontrará um caminho balizado pela castidade, aplanado pela fé, decorado com as nossas esmolas. O Senhor tem o hábito de percorrer este género de vias, porque o profeta clama: «Abri caminho àquele que cavalga sobre as nuvens; o seu nome é Senhor!» (Sl 67,5). [...]

O próprio João traçou na perfeição e ordenou o seu caminho para a chegada de Cristo, porque foi em todas as coisas sóbrio, humilde, pobre e virgem: «João trazia um traje de pêlos de camelo e um cinto de couro à volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre» (Mt 3,4). Pois não há maior sinal de humildade que o desprezo de vestes sumptuosas e o uso de peles por tratar; nem há maior sinal de fé que estar sempre preparado, com os rins cingidos, para qualquer dever de serviço; nem há sinal mais notável de renúncia que alimentar-se de gafanhotos e mel silvestre.

São Máximo de Turim (?-c. 420) bispo Sermão 88, PL 57, 733-736

Santo do Dia