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Liturgia diária

2º Domingo do Advento

Domingo, 9 De Dezembro Cor litúrgica: Roxo

Tempo litúrgico

Segundo Domingo do Advento
Podemos situar o tema deste Domingo à volta da missão profética. Ela é um apelo à conversão, à renovação, no sentido de eliminar todos os obstáculos que impedem a chegada do Senhor ao nosso mundo e ao coração dos homens. Esta missão é uma exigência que é feita a todos os baptizados, chamados - neste tempo em especial - a dar testemunho da salvação/libertação que Jesus Cristo veio trazer.O evangelho apresenta-nos o profeta João Baptista, que convida os homens a uma transformação total quanto à forma de pensar e de agir, quanto aos valores e às prioridades da vida. Para que Jesus possa caminhar ao encontro de cada homem e apresentar-lhe uma proposta de salvação, é necessário que os corações estejam livres e disponíveis para acolher a Boa Nova do Reino. É esta missão profética que Deus continua, hoje, a confiar-nos.A primeira leitura sugere que este "caminho" de conversão é um verdadeiro êxodo da terra da escravidão, para a terra da felicidade e da liberdade. Durante o percurso, somos convidados a despir-nos de todas as cadeias que nos impedem de acolher a proposta libertadora que Deus nos faz. A leitura convida-nos, ainda, a viver este tempo numa serena alegria, confiantes no Deus que não desiste de nos apresentar uma proposta de salvação, apesar dos nossos erros e dificuldades.A segunda leitura chama a atenção para o facto de a comunidade se dever preocupar com o anúncio profético e dever manifestar, em concreto, a sua solidariedade para com todos aqueles que fazem sua a causa do Evangelho. Sugere, também, que a comunidade deve dar um verdadeiro testemunho de caridade, banindo as divisões e os conflitos: só assim ela dará testemunho do Senhor que vem.

Ba 5,1-9.

1 Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus.
2 Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno.
3 Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu;
4 Deus te dará para sempre este nome: «Paz da justiça e glória da piedade».
5 Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo, felizes por Deus Se ter lembrado deles.
6 Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis.
7 Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus.
8 Também os bosques e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel,
9 por ordem de Deus, porque Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que dele procedem.

126(125),1-2ab.2cd-3.4-5.6.

R/ O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

1 Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
2 Da nossa boca brotavam expressões de alegria
2 e de nossos lábios cânticos de júbilo.

2 Diziam então os pagãos:
2 «O Senhor fez por eles grandes coisas».
3 Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.

4 Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
5 Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.

6 À ida, vão a chorar,
levando as sementes;
à volta, vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.

Ph 1,4-6.8-11.

4 Irmãos: Em todas as minhas orações, peço sempre com alegria por todos vós,
5 recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho, desde o primeiro dia até ao presente.
6 Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus.
8 Deus é testemunha de que vos amo a todos no coração de Cristo Jesus.
9 Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento,
10 para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo.
11 Assim, alcançareis a plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus.

Lucas 3,1-6.

1 No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene,
2 no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.
3 E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados,
4 como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.
5 Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas;
6 e toda a criatura verá a salvação de Deus"».

Comentário ao Evangelho

«O deserto e a terra árida vão alegrar-se, a estepe exultará e dará flores» (Is 35,1)

«Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor’». Irmãos, reflitamos antes de mais na graça da solidão, na beatitude do deserto, que mereceu ser consagrado ao repouso dos santos desde o começo da era da salvação. É verdade que o deserto foi santificado para nós pela «voz [que] clama no deserto», João Batista, que pregava e administrava um batismo de penitência; mas já antes dele os profetas mais santos tinham amado a solidão enquanto local favorável ao Espírito. Porém, este local recebeu uma graça de santificação incomparavelmente maior quando Jesus tomou o lugar de João (Mt 4,1). […]

Ele permaneceu no deserto durante quarenta dias, como que para purificar e consagrar este local a uma vida nova; venceu o déspota que o assombrava […], não tanto por si, mas por aqueles que, no futuro, aí habitariam. […] Portanto, espera no deserto Aquele que te salvará do medo e das tempestades; quaisquer que sejam os combates que sobre ti se abatam, quaisquer que sejam as privações que venhas a sofrer, não regresses ao Egito, pois o deserto há de alimentar-te melhor com o maná. […]

Jesus jejuou no deserto, mas muitas vezes alimentou a multidão que O seguia, e fê-lo de forma maravilhosa. […] Quando pensares que Ele te abandonou há muito, nessa altura Ele virá, recordado da sua bondade, para te consolar e te dizer: «Recordo-me da tua fidelidade no tempo da tua juventude, dos amores do tempo do teu noivado, quando me seguias no deserto» (Jer 2,1). Nessa altura, Ele fará do teu deserto um paraíso de delícias, e tu proclamarás, como o profeta, que «tem a glória do Líbano, a formosura do monte Carmelo e da planície de Saron» (Is 35,2). […] Então, da tua alma saciada brotará um hino de louvor: «Deem graças ao Senhor, pelo seu amor e pelas suas maravilhas em favor dos homens. Pois Ele deu de beber aos que tinham sede, e matou a fome aos famintos» (Sl 106,8-9).

Beato Guerric de Igny (c. 1080-1157) abade cisterciense 4.º Sermão do Advento

Santo do Dia