Liturgia diária
1º Domingo do Advento
Tempo litúrgico
Primeiro Domingo do Advento
Neste 1º Domingo de Advento, a Palavra de Deus apresenta-nos uma primeira abordagem à "vinda" do Senhor.Na primeira leitura, pela boca do profeta Jeremias, o Deus da aliança anuncia que é fiel às suas promessas e vai enviar ao seu Povo um "rebento" da família de David. A sua missão será concretizar esse mundo sonhado de justiça e de paz: fecundidade, bem-estar, vida em abundância, serão os frutos da acção do messias.O Evangelho apresenta-nos Jesus, o messias filho de David, a anunciar a todos os que se sentem prisioneiros: "Alegrai-vos, a vossa libertação está próxima. O mundo velho a que estais presos vai cair e, em seu lugar, vai nascer um mundo novo, onde conhecereis a liberdade e a vida em plenitude. Estai atentos, a fim de acolherdes o Filho do Homem que vos traz o projecto desse mundo novo". É preciso, no entanto, reconhecê-lo, saber identificar os seus apelos e ter a coragem de construir, com ele, a justiça e a paz.A segunda leitura convida-nos a não nos instalarmos na mediocridade e no comodismo, mas a esperar numa atitude activa a vinda do Senhor. É fundamental, nessa atitude, a vivência do amor: é ele o centro do nosso testemunho pessoal, comunitário, eclesial.
Jeremias 33,14-16.
14 Eis o que diz o Senhor: «Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá.
15 Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na Terra.
16 Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome que chamarão à cidade: "O Senhor é a nossa justiça"».
25(24),4bc-5ab.8-9.10.14.
R/ Erguei-vos e levantai a cabeça: está perto a vossa redenção.
4 Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
4 ensinai-me as vossas veredas.
5 Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
5 porque Vós sois Deus, meu Salvador.
8 O Senhor é bom e reto,
ensina o caminho aos pecadores.
9 Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer a sua aliança.
10 Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade
para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.
14 O Senhor trata com familiaridade os que O temem
e dá-lhes a conhecer a sua aliança.
1_Th 3,12-13.4,1-2.
12 Irmãos: O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco.
13 O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus, nosso Senhor, com todos os santos.
1 Finalmente, irmãos, eis o que vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus: recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus, e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais.
2 Conheceis bem as normas que vos demos da parte do Senhor Jesus.
Lucas 21,25-28.34-36.
25 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na Terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar.
26 Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas.
27 Então hão de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória.
28 Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.
34 Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente
35 como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da Terra.
36 Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».
Comentário ao Evangelho
«Então hão de ver o Filho do homem vir»
«Aí vem o esposo» (Mt 25, 6). É Cristo, nosso esposo, que profere esta palavra. Em latim, o termo «venit» contém dois tempos do verbo: o passado e o presente; o que não o impede de visar também o futuro. Por isso, vamos considerar as três vindas do nosso esposo, Jesus Cristo.
Quando da primeira vinda, Ele fez-Se homem por causa do homem, por amor. A segunda vinda tem lugar todos os dias, frequentemente e em muitas ocasiões, em todos os corações que amam, acompanhada de novas graças e de novas dádivas, consoante a capacidade de cada um. A terceira vinda é aquela que terá lugar no dia do Juízo ou na hora da morte. [...]
Deus criou os anjos e os homens pela sua bondade infinita e pela sua nobreza: quis fazê-lo para que a beatitude e a riqueza que Ele próprio é fossem reveladas às criaturas dotadas de razão, e para que estas pudessem saboreá-l'O no tempo e usufruir d'Ele para lá do tempo, na eternidade. Deus fez-Se homem pelo seu amor imenso e pelo infortúnio dos homens, que estavam alterados pela queda do pecado original e eram incapazes de se curar dele. Mas o motivo por que Cristo realizou todas as suas obras na Terra, não apenas segundo a sua divindade mas também segundo a sua humanidade, é quádruplo, a saber: o seu amor divino, que não tem fim; o amor criado, ou caridade, que possuía na sua alma, graças à união com o Verbo eterno e à dádiva perfeita que seu Pai Lhe fizera desse mesmo amor; o grande infortúnio em que se encontrava a natureza humana; e, por fim, a honra de seu Pai. Foram estes os motivos da vinda de Cristo, nosso esposo, e de todas as suas obras.
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