Liturgia diária
Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo – solenidade
Tempo litúrgico
Solenidade de Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo
A Palavra de Deus que nos é proposta neste último Domingo do ano litúrgico convida-nos a tomar consciência da realeza de Jesus; deixa claro, no entanto, que essa realeza não pode ser entendida à maneira dos reis deste mundo: é uma realeza que se concretiza de acordo com uma lógica própria, a lógica de Deus. O Evangelho, especialmente, explica qual é a lógica da realeza de Jesus.A primeira leitura anuncia que Deus vai intervir no mundo, a fim de eliminar a crueza, a ambição, a violência, a opressão que marcam a história dos reinos humanos. Através de um "filho de homem" que vai aparecer "sobre as nuvens", Deus vai devolver à história a sua dimensão de "humanidade", possibilitando que os homens sejam livres e vivam na paz e na tranquilidade. Os cristãos verão nesse "filho de homem" vitorioso um anúncio da realeza de Jesus.Na segunda leitura, o autor do Livro do Apocalipse apresenta Jesus como o Senhor do Tempo e da História, o princípio e o fim de todas as coisas, o "príncipe dos reis da terra", aquele que há-de vir "por entre as nuvens" cheio de poder, de glória e de majestade para instaurar um reino definitivo de felicidade, de vida e de paz. É, precisamente, a interpretação cristã dessa figura de "filho de homem" de que falava a primeira leitura.O Evangelho apresenta-nos, num quadro dramático, Jesus a assumir a sua condição de rei diante de Pôncio Pilatos. A cena revela, contudo, que a realeza reivindicada por Jesus não assenta em esquemas de ambição, de poder, de autoridade, de violência, como acontece com os reis da terra. A missão "real" de Jesus é dar "testemunho da verdade"; e concretiza-se no amor, no serviço, no perdão, na partilha, no dom da vida.
Daniel 7,13-14.
13 Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença.
14 Foi-Lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino jamais será destruído.
93(92),1abc.1d-2.5.
R/ O Senhor é rei num trono de luz.
1 O Senhor é Rei,
1 revestiu-Se de majestade,
1 revestiu-Se e cingiu-Se de poder.
Firmou o Universo, que não vacilará.
1 Firmou o Universo, que não vacilará.
2 É firme o vosso trono desde sempre.
Vós existis desde toda a eternidade.
5 Os vossos testemunhos são dignos de toda a fé,
a santidade habita na vossa casa
por todo o sempre.
Apocalipse 1,5-8.
5 Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Príncipe dos reis da Terra. Àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado
6 e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Ámen.
7 Ei-lo que vem entre as nuvens, e todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O trespassaram; e por sua causa hão de lamentar-se todas as tribos da Terra. Sim. Ámen.
8 «Eu sou o Alfa e o Ómega», diz o Senhor Deus, «Aquele que é, que era e que há de vir, o Senhor do Universo».
João 18,33b-37.
33 Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: «Tu és o rei dos Judeus?».
34 Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?».
35 Disse-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?».
36 Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui».
37 Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és Rei?». Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».
Comentário ao Evangelho
«Venha o teu Reino» (Mt 6, 10)
O reino do pecado é inconciliável com o reino de Deus. Portanto, se queremos que Deus reine sobre nós, «que o pecado não reine mais no vosso corpo mortal» (Rom 6,12). Mas «crucifiquemos os nossos membros no que toca à prática de coisas da terra» (Col 3,5), demos frutos do Espírito. Assim, como num paraíso espiritual, o Senhor passeará em nós (Gn 3,8), reinando sozinho com o seu Cristo. Este será entronado em nós «à direita do Todo-Poderoso» (Mt 26,64), que desejamos receber até que todos os seus inimigos presentes em nós «se tornem estrado para os seus pés» (Sl 110,1) e seja expulso para longe «todo o principado, toda a dominação e poder» (1Cor 15,24).
Tudo isto pode acontecer em cada um de nós até que seja destruído «o último inimigo [...]: a morte» (1Cor 15,26) e Cristo diga em nós: «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» (1Cor 15,55) Por isso, desde agora, que tudo o que é «corruptível» em nós se torne santo e «se revista de incorruptibilidade» e o que é «mortal» [...] se «revista da imortalidade» (1Cor 15,53) do Pai. Assim, Deus reinará sobre nós e estaremos desde já na alegria do novo nascimento e da ressurreição.
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