Liturgia diária
Quinta-feira da 27ª semana do Tempo Comum
Tempo litúrgico
Nossa Senhora de Vandoma
A origem da invocação do culto de Nossa Senhora de Vandoma na cidade do Porto anda estreitamente ligada a França. A seu respeito há uma tradição que diz o seguinte: aí pelos finais do século X aportou à foz do rio Douro uma armada de gascões (oriundos da Gasconha, em França), que eram conduzidos por D. Moninho Viegas. Com eles viajou Ónego ou Nónego que era bispo de Vendôme, em França e que veio a ser o XIV bispo do Porto. Trazia consigo a imagem de Nossa Senhora de Vandoma que mandou colocar num oratório por cima da porta principal de entrada na cidade e que por isso se passou a chamar Porta de Vandoma. A imagem está agora recolhida na Sé Catedral e continua a figurar no brasão da cidade de que Nossa Senhora de Vandoma é padroeira.
Ga 3,1-5.
1 Ó gálatas insensatos, quem vos fascinou, depois de ter sido apresentada aos vossos olhos a imagem de Jesus Cristo crucificado?
2 Só quero que me respondais ao seguinte: Foi por cumprirdes as obras da Lei de Moisés que recebestes o Espírito Santo, ou porque ouvistes a mensagem da fé?
3 Sois tão insensatos que, tendo começado com o Espírito, acabais agora na carne?
4 Foi em vão que recebestes tantos dons? Se é que foi em vão!
5 Aquele que vos dá o Espírito e realiza milagres entre vós procede assim por cumprirdes as obras da Lei de Moisés, ou porque ouvistes a mensagem da fé?
Lucas 1,69-70.71-72.73-75.
R/ Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo.
69 O Senhor nos deu um Salvador poderoso,
na casa de David, seu servo,
70 como prometeu pela boca dos seus santos,
os profetas dos tempos antigos.
71 Para nos libertar dos nossos inimigos
e das mãos daqueles que nos odeiam;
72 para mostrar a sua misericórdia a favor dos nossos pais,
recordando a sua sagrada aliança.
73 O juramento que fizera a Abraão, nosso pai,
que nos havia de conceder esta graça:
74 de O servirmos um dia, sem temor,
livres das mãos dos nossos inimigos,
75 em santidade e justiça na sua presença,
todos os dias da nossa vida.
Lucas 11,5-13.
5 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: "Amigo, empresta-me três pães,
6 porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar".
7 Ele poderá responder lá de dentro: "Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos já nos deitámos; não posso levantar-me para te dar os pães".
8 Eu vos digo: se ele não se levantar por ser amigo, ao menos por causa da sua insistência levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa.
9 Também vos digo: pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á.
10 Porque quem pede, recebe; quem procura, encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á.
11 Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente?
12 E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião?
13 Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».
Comentário ao Evangelho
«Amigo, empresta-me três pães»
«Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: "Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar"»: segundo a inteligência espiritual, este amigo é Cristo: «Já não vos chamo servos, [...] mas a vós chamei-vos amigos» (Jo 15,15). Temos de nos aproximar deste Amigo de noite, isto é, no silêncio da noite, como fez Nicodemos, acerca do qual está dito: «Veio ter com Jesus de noite» (Jo 3,2). E isto porque, no silêncio da noite, temos de bater através da oração, como diz Isaías: «A minha alma suspira por ti de noite» (Is 26,9); ou porque é à noite que encontramos a tribulação, segundo Oseias: «Nas suas tribulações, levantaram-se de manhã cedo» (Os 5,15,LXX).
Com efeito, o amigo que chega de viagem é o nosso espírito, que regressa a nós tantas vezes quantas se afastou em busca dos bens temporais. É o prazer que leva este amigo a afastar-se, mas a tribulação trá-lo de volta, como está dito mais adiante, em Lucas, a propósito do filho pródigo que se afastou por causa da luxúria e que regressou por causa da miséria (Lc 15, 11-32). Aquele que regressa entra em si mesmo, mas encontra-se vazio da consolação do alimento espiritual.
É preciso, pois, ir pedir ao Amigo verdadeiro três pães para este amigo faminto, que o mesmo é dizer, a inteligência da Trindade, ou seja, o nome das três Pessoas, a fim de que o seu alimento se encontre no conhecimento do Deus único. Ou então, esses três pães são a fé, a esperança e a caridade, pelas quais é nomeada uma tripla virtude na alma. A esse propósito, está escrito no Livro de Samuel: «Seguirás o teu caminho até ao carvalho do Tabor; aí encontrarás três homens que sobem para adorar a Deus em Betel, levando um três cabritos, outro três pães e o terceiro um odre de vinho» (1Sam 10,3), a fim de que assim se realize a graça e a trindade das virtudes pelas quais a imagem de Deus se forma na alma.
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