Liturgia diária
Terça-feira da 27ª semana do Tempo Comum
Tempo litúrgico
Nossa Senhora do Monte
Nossa Senhora do Monte é padroeira principal da cidade do Funchal e padroeira secundária da diocese. Dos primórdios desta devoção fala-nos o Elucidário Madeirense no texto que a seguir se transcreve:A origem desta paróquia vem da fazenda povoada que ali tinha Adão Gonçalves Ferreira, o primeiro homem que nasceu nesta ilha e que era filho de Gonçalo Aires Ferreira (V. pag. 21), o mais distinto companheiro de Zargo na descoberta do arquipélago. Como geralmente acontecia, era uma pequena capela o centro em torno do qual se agrupavam os primeiros povoadores, tendo Adão Ferreira levantado ali pelos anos de 1470 uma modesta ermida, que parece ter tido o nome primitivo de Nossa Senhora da Encarnação, passando depois a chamar-se Nossa Senhora do Monte, devido certamente às condições orograficas do local, que bem justificavam a nova e apropriada denominação. Outros afirmam que a milagrosa aparição da imagem da Santissima Virgem, que logo começaram a chamar Nossa Senhora do Monte, é que deu origem a que a capela tomasse este nome, que se transmitiu ao sítio e mais tarde a toda a paróquia. A lenda dessa aparição miraculosa vem narrada, nos seguintes termos, no verso das gravuras que representam a pequenina e veneranda imagem: «Há mais de 300 anos, no Terreiro da Luta, cerca de 1 quilómetro acima da igreja de N.ª S.ª do Monte, uma Menina, de tarde, brincou com certa pastorinha, e deu-lhe merenda. Esta cheia de júbilo, refere o facto à sua família, que lhe não deu crédito, por lhe parecer impossivel que naquela mata erma e tão arredada da povoação aparecesse uma Menina. Na tarde seguinte, reiterou-se o facto e a pastorinha o recontou. No dia imediato, à hora indicada pela pastorinha, o pai desta, ocultamente, foi observar a scena, e viu sôbre uma pedra uma pequena Imagem de Maria Santissima, e à frente desta a inocente pastorinha, que a seu pai inopinadamente aparecido, afirmava ser aquela Imagem a Menina de quem lhe falava. O pastor, admirado, não ousou tocar a imagem, e participou o facto à autoridade que mandou colocá-la na capela da Incarnação, próxima da actual igreja de «N.ª S.ª do Monte», nome que desde então foi dado aquela veneranda Imagem.» Esta narrativa não difere essencialmente duma descrição manuscrita, que possuímos, do meado do século XVIII, a qual por sua vez se baseava numa ininterrupta tradição oral. Nessa descrição se encontra o seguinte interessante pormenor: «No dia seguinte amanheceu a S.ª fora da Hermida, na fonte a ella vezinha sobre hua pedra na qual se vem ainda hoje alguns caracteres antigos que mal se percebem...» Esta pedra preciosissima, diz o padre Joaquim Plácido Pereira, ficou soterrada no fundo do Ribeiro de Nossa Senhora, quando a Câmara Municipal do Funchal mandou ampliar o Largo da Fonte, em 1896.
Ga 1,13-24.
13 Irmãos: Certamente ouvistes falar do meu proceder outrora no judaísmo e como perseguia terrivelmente a Igreja de Deus e procurava destruí-la.
14 Fazia mais progressos no judaísmo do que muitos dos meus compatriotas da mesma idade, por ser extremamente zeloso das tradições dos meus pais.
15 Mas quando Aquele que me destinou desde o seio materno e me chamou pela sua graça Se dignou
16 revelar em mim o seu Filho para que eu O anunciasse aos gentios, decididamente não consultei a carne e o sangue,
17 nem subi a Jerusalém para ir ter com os que foram apóstolos antes de mim; mas retirei-me para a Arábia e depois voltei novamente a Damasco.
18 Três anos mais tarde, subi a Jerusalém para ir conhecer Pedro e fiquei junto dele quinze dias.
19 Não vi mais nenhum dos apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor.
20 – O que vos escrevo, diante de Deus o afirmo: não estou a mentir. –
21 A seguir fui às regiões da Síria e da Cilícia.
22 Eu era pessoalmente desconhecido das Igrejas da Judeia que estão em Cristo.
23 Só tinham ouvido dizer: «Aquele que outrora nos perseguia anuncia agora a fé que então combatia».
24 E davam glória a Deus a respeito de mim.
139(138),1-3.13-14ab.14c-15.
R/ Conduzi-me, Senhor, pelo caminho da eternidade.
1 Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser:
2 sabeis quando me sento e quando me levanto.
De longe penetrais o meu pensamento:
3 Vós me vedes quando caminho e quando descanso,
observais todos os meus passos.
13 Vós formastes as entranhas do meu corpo
e me criastes no seio de minha mãe.
14 Eu Vos dou graças
por me terdes feito tão maravilhosamente:
14 admiráveis são as vossas obras.
14 Vós conhecíeis já a minha alma
15 e nada do meu ser Vos era oculto
quando secretamente era formado,
modelado nas profundidades da terra.
Lucas 10,38-42.
38 Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa.
39 Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
40 Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me».
41 O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas,
42 quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».
Comentário ao Evangelho
«Maria, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra»
Para que nada me tire do silêncio interior, [manterei] sempre a mesma condição, o mesmo isolamento, o mesmo distanciamento, o mesmo despojamento. Se os meus desejos, os meus medos, as minhas alegrias ou as minhas dores [...] não estiverem perfeitamente ordenados para Deus, não estarei sozinha e haverá ruído em mim; por isso, é preciso serenidade, repouso das potências, concentração do ser. «Filha, escuta, vê e presta atenção; esquece o teu povo e a casa de teu pai. Porque o Rei deixou-se prender pela tua beleza» [Sl 45,11-12]. [...] Esquecer o próprio povo parece-me difícil; porque aqui «povo» é todo este mundo, que faz, por assim dizer, parte de nós: é a sensibilidade, são as memórias, as impressões, etc. [...] Quando a alma faz essa rutura, quando se liberta de tudo isso, o Rei fica prisioneiro da sua beleza. [...]
Vendo o silêncio que reina na sua criatura e considerando que está absolutamente recolhida [...], o Criador fá-la passar por esta solidão imensa, infinita, [retira-a] para esse «lugar seguro» cantado pelo profeta (Sl 18,20), que é Ele próprio. [...] «Ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração» (Os 2,16). Ei-la, a alma entrada nessa vasta solidão em que Deus Se fará ouvir! São Paulo diz: «A palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes; penetra até à divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas» (Heb 4,12). Portanto, será ela quem diretamente completará o trabalho de despojamento na alma. [...]
Mas não basta ouvir a palavra, é necessário guardá-la (Jo 14,23). E é guardando-a que a alma será «consagrada na verdade» (Jo 17,17); é esse o desejo do Mestre [...], que prometeu àquele que guarda a sua palavra: «Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14,23) É toda a Trindade que habita na alma que a ama verdadeiramente, ou seja, que guarda a sua palavra.
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