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Liturgia diária

26º Domingo do Tempo Comum

Domingo, 30 De Setembro Cor litúrgica: Verde

Tempo litúrgico

Vigésimo Sexto Domingo do Tempo Comum
A liturgia do 26º Domingo Comum apresenta várias sugestões para que os crentes possam purificar a sua opção e integrar, de forma plena e total, a comunidade do Reino. Uma das sugestões mais importantes (que a primeira leitura apresenta e que o Evangelho recupera) é a de que os crentes não pretendam ter o exclusivo do bem e da verdade, mas sejam capazes de reconhecer e aceitar a presença e a acção do Espírito de Deus através de tantas pessoas boas que não pertencem à instituição Igreja, mas que são sinais vivos do amor de Deus no meio do mundo.A primeira leitura, recorrendo a um episódio da marcha do Povo de Deus pelo deserto, ensina que o Espírito de Deus sopra onde quer e sobre quem quer, sem estar limitado por regras, por interesses pessoais ou por privilégios de grupo. O verdadeiro crente é aquele que, como Moisés, reconhece a presença de Deus nos gestos proféticos que vê acontecer à sua volta.No Evangelho temos uma instrução, através da qual Jesus procura ajudar os discípulos a situarem-se na órbita do Reino. Nesse sentido, convida-os a constituírem uma comunidade que, sem arrogância, sem ciúmes, sem presunção de posse exclusiva do bem e da verdade, procura acolher, apoiar e estimular todos aqueles que actuam em favor da libertação dos irmãos; convida-os, também, a não excluírem da dinâmica comunitária os pequenos e os pobres; convida-os, ainda, a arrancarem da própria vida todos os sentimentos e atitudes que são incompatíveis com a opção pelo Reino.A segunda leitura convida os crentes a não colocarem a sua confiança e a sua esperança nos bens materiais, pois eles são valores perecíveis e que não asseguram a vida plena para o homem. Mais: as injustiças cometidas por quem faz da acumulação dos bens materiais a finalidade da sua existência afastá-lo-ão da comunidade dos eleitos de Deus.

Nb 11,25-29.

25 Naqueles dias, o Senhor desceu na nuvem e falou com Moisés. Tirou uma parte do Espírito que estava nele e fê-lo poisar sobre setenta anciãos do povo. Logo que o Espírito poisou sobre eles, começaram a profetizar; mas não continuaram a fazê-lo.
26 Tinham ficado no acampamento dois homens: um deles chamava-se Eldad e o outro Medad. O Espírito poisou também sobre eles, pois contavam-se entre os inscritos, embora não tivessem comparecido na tenda; e começaram a profetizar no acampamento.
27 Um jovem correu a dizê-lo a Moisés: «Eldad e Medad estão a profetizar no acampamento».
28 Então Josué, filho de Nun, que estava ao serviço de Moisés desde a juventude, tomou a palavra e disse: «Moisés, meu senhor, proíbe-os».
29 Moisés, porém, respondeu-lhe: «Estás com ciúmes por causa de mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor infundisse o seu Espírito sobre eles!».

19(18),8.10.12-13.14.

R/ Os preceitos do Senhor alegram o coração.

8 A lei do Senhor é perfeita,
ela reconforta a alma.
As ordens do Senhor são firmes
e dão sabedoria aos simples.

10 O temor do Senhor é puro
e permanece eternamente.
Os juízos do Senhor são verdadeiros,
todos eles são retos.

12 Embora o vosso servo se deixe guiar por eles
e os observe com cuidado,
13 quem pode, entretanto, reconhecer os seus erros?
Purificai-me dos que me são ocultos.

14 Preservai também do orgulho o vosso servo,
para que não tenha poder algum sobre mim:
então serei irrepreensível
e imune de culpa grave.

Jc 5,1-6.

1 Agora, vós, ó ricos, chorai e lamentai-vos, por causa das desgraças que vão cair sobre vós.
2 As vossas riquezas estão apodrecidas e as vossas vestes estão comidas pela traça.
3 O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se, e a sua ferrugem vai dar testemunho contra vós e devorar a vossa carne como fogo. Acumulastes tesouros no fim dos tempos.
4 Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras. O seu salário clama; e os brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo.
5 Levastes na Terra uma vida regalada e libertina, cevastes os vossos corações para o dia da matança.
6 Condenastes e matastes o justo, e ele não vos resiste.

Marcos 9,38-43.45.47-48.

38 Naquele tempo, João disse a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco».
39 Jesus respondeu: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim.
40 Quem não é contra nós é por nós.
41 Quem vos der a beber um copo de água por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.
42 Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que creem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar.
43 Se a tua mão é para ti ocasião de pecado, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga.
45 E, se o teu pé é para ti ocasião de pecado, corta-o; porque é melhor entrar coxo na vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena.
47 E, se um dos teus olhos é para ti ocasião de pecado, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena,
48 onde o verme não morre e o fogo nunca se apaga».

Comentário ao Evangelho

«Ele não anda connosco»

«Que digais todos o mesmo, e que entre vós não haja divisões» (1Cor 1,10). As diversas partes da Igreja deixam de estar completas quando uma delas sofre e morre. Se cada Igreja fosse, por si mesma, um corpo completo, haveria numerosas assembleias e reuniões; mas elas formam um só corpo e a divisão destrói a sua unidade. […] Depois de ter denunciado este mal utilizando essa amarga palavra – divisões –, o apóstolo Paulo suaviza a sua linguagem ao acrescentar: «Sede perfeitos no mesmo espírito e no mesmo parecer.» Não se trata apenas de um acordo de palavras, mas de uma união de pensamento e de sentimentos. E, como pode acontecer que as pessoas estejam unidas em determinado ponto, mas divididas noutros, Paulo insiste: «Estai unidos de maneira perfeita» […], sede perfeitos na caridade.

Podemos estar unidos em pensamento e divididos nas ações, ter uma mesma fé sem estar ligados por uma mesma caridade. Era o que se passava em Corinto, onde uns se ligavam a um mestre, outros a outro. Paulo não lhes censura as divergências na fé, mas as diferentes maneiras de agir, as rivalidades humanas […]: «Soube que entre vós há contendas. […] Estará Cristo dividido?» (1Cor 1, 12-13).

São João Crisóstomo (c. 345-407) presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 3.ª Homilia sobre a 1.ª Carta aos Coríntios

Santo do Dia