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Liturgia diária

20º Domingo do Tempo Comum

Domingo, 19 De Agosto Cor litúrgica: Verde

Tempo litúrgico

Vigésimo Domingo do Tempo Comum
A liturgia do 20º Domingo Comum repete o tema dos últimos Domingos: Deus quer oferecer aos homens, em todos os momentos da sua caminhada pela terra, o "pão" da vida plena e definitiva. Naturalmente, os homens têm de fazer a sua escolha e de acolher esse dom.No Evangelho, Jesus reafirma que o objectivo final da sua missão, é dar aos homens o "pão da vida". Para receber essa vida, os discípulos são convidados a "comer a carne" e a "beber o sangue" de Jesus - isto é, a aderir à sua pessoa, a assimilar o seu projecto, a interiorizar a sua proposta. A Eucaristia cristã (o "comer a carne" e "beber o sangue" de Jesus) é um momento privilegiado de encontro com essa vida que Jesus veio oferecer.A primeira leitura oferece-nos uma parábola sobre um banquete preparado pela "senhora sabedoria" para os "simples" e para os que querem vencer a insensatez. Convida-nos à abertura aos dons de Deus e à disponibilidade para acolher a vida de Deus (o "pão de Deus que desce do céu").A segunda leitura lembra aos cristãos a sua opção por Cristo (aquele Cristo a quem o Evangelho de hoje chama "o pão de Deus que desceu do céu para a vida do mundo"). Convida-os a não adormecerem, a repensarem continuamente as suas opções e os seus compromissos, a não se deixarem escorregar pelo caminho da facilidade e do comodismo, a viverem com empenho e entusiasmo o seguimento de Cristo, a empenharem-se no testemunho dos valores em que acreditam.

Provérbios 9,1-6.

1 A Sabedoria edificou a sua casa e levantou sete colunas.
2 Abateu os seus animais, preparou o vinho e pôs a mesa.
3 Enviou as suas servas a proclamar nos pontos mais altos da cidade:
4 «Quem é inexperiente venha por aqui». E aos insensatos ela diz:
5 «Vinde comer do meu pão e beber do vinho que vos preparei.
6 Deixai a insensatez e vivereis; segui o caminho da prudência».

34(33),2-3.10-11.12-13.14-15.

R/ Saboreai e vede como o Senhor é bom.

2 A toda a hora bendirei o Senhor,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
3 A minha alma gloria-se no Senhor:
escutem e alegrem-se os humildes.

10 Temei o Senhor, vós, os seus fiéis,
porque nada falta aos que O temem.
11 Os poderosos empobrecem e passam fome,
aos que procuram o Senhor não faltará riqueza alguma.

12 Vinde, filhos, escutai-me,
vou ensinar-vos o temor do Senhor.
13 Qual é o homem que ama a vida,
que deseja longos dias de felicidade?

14 Guarda do mal a tua língua
e da mentira os teus lábios.
15 Evita o mal e faz o bem,
procura a paz e segue os seus passos.

Ep 5,15-20.

15 Irmãos: Vede bem como procedeis. Não vivais como insensatos, mas como pessoas inteligentes.
16 Aproveitai bem o tempo, porque os dias que correm são maus.
17 Por isso não sejais irrefletidos, mas procurai compreender qual é a vontade do Senhor.
18 Não vos embriagueis com o vinho, que é causa de luxúria, mas enchei-vos do Espírito Santo,
19 recitando entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e salmodiando em vossos corações,
20 dando graças, por tudo e em todo o tempo, a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.

João 6,51-58.

51 Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo»
52 Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?».
53 Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.
55 A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.
56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele.
57 Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim.
58 Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».

Comentário ao Evangelho

«A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida»

A reprodução sacramental, na Santa Missa, do sacrifício de Cristo coroado pela sua ressurreição implica uma presença muito especial, que – para usar palavras de Paulo VI – «se chama "real", não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem "reais", mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela Se torna presente Cristo completo, Deus e homem». Reafirma-se assim a doutrina sempre válida do Concílio de Trento: «Pela consagração do pão e do vinho, opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação». Verdadeiramente, a Eucaristia é mysterium fidei, mistério que supera os nossos pensamentos e só pode ser aceite pela fé, como lembram frequentemente as catequeses patrísticas sobre este sacramento divino. «Não hás de ver», exorta S. Cirilo de Jerusalém, «o pão e o vinho [consagrados] simplesmente como elementos naturais, porque o Senhor disse expressamente que são o seu corpo e o seu sangue: a fé to assegura, ainda que os sentidos possam sugerir-te outra coisa».

«Adoro te devote, latens Deitas»: continuaremos a cantar com São Tomás, o Doutor Angélico. Diante deste mistério de amor, a razão humana experimenta toda a sua limitação. Compreende-se que, ao longo dos séculos, esta verdade tenha estimulado a teologia a árduos esforços de compreensão.

São esforços louváveis, tanto mais úteis e incisivos se capazes de conjugar o exercício crítico do pensamento com a vida de fé da Igreja, individuada especialmente no carisma da verdade do Magistério e na íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais sobretudo os santos. Permanece o limite apontado por Paulo VI: «Toda a explicação teológica que queira penetrar de algum modo neste mistério, para estar de acordo com a fé católica, deve assegurar que, na sua realidade objetiva, independentemente do nosso entendimento, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de modo que a partir desse momento são o corpo e o sangue adoráveis do Senhor Jesus que estão realmente presentes diante de nós sob as espécies sacramentais do pão e do vinho».

São João Paulo II (1920-2005) papa «Ecclesia de Eucharistia», n.º 15

Santo do Dia