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Liturgia diária

Sábado da 18ª semana do Tempo Comum

Sábado, 11 De Agosto Cor litúrgica: Verde

Ha 1,12-17.2,1-4.

12 Não sois Vós, Senhor, desde os tempos antigos, o meu Deus, o meu Santo, o Imortal? Estabelecestes os caldeus, Senhor, para exercerem a justiça e os consolidastes como um rochedo para castigarem.
13 Os vossos olhos são demasiado puros para verem o mal e não podeis contemplar a opressão. Porque olhais então para os malvados, porque ficais em silêncio, quando o ímpio devora o justo?
14 Tratareis os homens como os peixes do mar, ou como os répteis que não têm dono?
15 O inimigo pesca-os a todos no anzol, apanha-os com a rede, recolhe-os com a tarrafa e assim fica alegre e satisfeito.
16 Por isso, oferece sacrifícios à sua rede e queima incenso à sua tarrafa, pois fez com elas uma pesca abundante e alcançou alimento com fartura.
17 Continuará ele a utilizar a sua rede, matando os povos impiedosamente?
1 Ficarei no meu posto de sentinela, conservar-me-ei de pé sobre a muralha, estarei alerta para ver o que o Senhor me dirá, como irá responder à minha queixa.
2 O Senhor respondeu-me: «Põe por escrito esta visão e grava-a em tábuas com toda a clareza, de modo que a possam ler facilmente.
3 Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há de vir e não tardará.
4 Vede como sucumbe aquele que não tem alma reta; mas o justo viverá pela sua fidelidade».

9(9A),8-9.10-11.12-13.

8 O Senhor é Rei para sempre,
firmou o seu trono para julgar.
9 Ele julga a Terra com justiça,
governa os povos com retidão.

10 O Senhor é o refúgio dos oprimidos,
o seu refúgio nas horas de tribulação.
11 Em Vós confiam os que conhecem o vosso nome,
porque não abandonais, Senhor, os que Vos procuram.

12 Cantai ao Senhor, que tem em Sião a sua morada,
anunciai entre os povos os seus feitos gloriosos.
13 O Senhor lembra-Se do sangue derramado
e não esquece o clamor dos infelizes.

Mateus 17,14-20.

14 Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um homem, que se ajoelhou diante dele e Lhe disse:
15 «Senhor, tem compaixão do meu filho, porque é epilético e sofre muito; cai frequentemente no fogo e muitas vezes na água.
16 Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo».
17 Jesus respondeu: «Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando terei de vos suportar? Trazei-mo aqui».
18 Jesus ameaçou o demónio, que saiu do menino, e este ficou curado a partir daquele momento.
19 Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe em particular: «Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo?».
20 Jesus respondeu-lhes: «Por causa da vossa pouca fé. Em verdade vos digo: se tiverdes fé comparável a um grão de mostarda, direis a este monte: "Muda-te daqui para acolá", e ele há de mudar-se. E nada vos será impossível».

Comentário ao Evangelho

«Aumenta a nossa fé» (Lc 17,5)

A palavra «fé» tem um duplo significado. Há, na verdade, um aspeto da fé que diz respeito aos dogmas e que consiste em concordar com uma dada verdade. Este aspeto da fé é proveitoso para a alma, segundo a palavra do Senhor: «Quem ouve a minha palavra e crê naquele que Me enviou tem a vida eterna» (Jo 5,24). [...]

Mas há um segundo aspeto da fé: é a fé que nos foi dada por Cristo como carisma, gratuitamente, como dom espiritual. «A um é dada, pela ação do Espírito, uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a outro, a fé, no mesmo Espírito; a outro, o dom das curas, no único Espírito» (1Cor 12,8-9). Esta fé que nos é dada como graça pelo Espírito Santo não é apenas uma fé dogmática, mas tem também o poder de realizar coisas que ultrapassam as forças humanas. Quem possui essa fé dirá «a este monte: “Tira-te daí e lança-te ao mar” [...], assim acontecerá». Pois, quando alguém pronunciar esta palavra com fé «e não vacilar em seu coração, mas acreditar que o que diz se vai realizar» (Mc 11,23), recebe a graça da sua realização. É desta fé que foi dito: se tivésseis fé «como um grão de mostarda». Na verdade, o grão de mostarda é muito pequeno, mas tem em si uma energia fogosa; semente minúscula, desenvolve-se a ponto de estender os seus longos ramos e de até poder abrigar as aves do céu (cf Mt 13,32). Do mesmo modo, a fé realiza numa alma os maiores feitos num piscar de olhos.

Quando está iluminada pela fé, a alma representa Deus diante de si e contempla-O tanto quanto possível. Abarca os limites do universo e, antes do fim dos tempos, já vê o julgamento e o cumprimento das promessas. Tu, portanto, possui essa fé que depende de Deus e que te leva a Ele; então receberás dele essa fé que age para além das forças humanas.

São Cirilo de Jerusalém (313-350) bispo de Jerusalém, doutor da Igreja Catequese baptismal 5, 10-11

Santo do Dia