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Liturgia diária

15º Domingo do Tempo Comum

Domingo, 15 De Julho Cor litúrgica: Verde

Tempo litúrgico

Décimo Quinto Domingo do Tempo Comum
A liturgia do 15º Domingo Comum recorda-nos que Deus actua no mundo através dos homens e mulheres que Ele chama e que Ele envia como testemunhas do seu projecto de salvação. Esses "enviados" devem ter como grande prioridade a fidelidade ao projecto de Deus e não a defesa dos seus próprios interesses ou privilégios.A primeira leitura apresenta-nos o exemplo do profeta Amós. Escolhido, chamado e enviado por Deus, o profeta vive para propor aos homens - com verdade e coerência - os projectos e os sonhos de Deus para o mundo. Actuando com total liberdade, o profeta não se deixa manipular pelos poderosos nem amordaçar pelos seus próprios interesses pessoais.A segunda leitura garante-nos que Deus tem um projecto de vida plena, verdadeira e total para cada homem e para cada mulher - um projecto que desde sempre esteve na mente do próprio Deus. Esse projecto, apresentado aos homens através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida, total e sem subterfúgios.No Evangelho, Jesus envia os discípulos em missão. Essa missão - que está no prolongamento da própria missão de Jesus - consiste em anunciar o Reino e em lutar objectivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Antes da partida dos discípulos, Jesus dá-lhes algumas instruções acerca da forma de realizar a missão... Convida-os especialmente à pobreza, à simplicidade, ao despojamento dos bens materiais.

Amós 7,12-15.

12 Naqueles dias, Amasias, sacerdote de Betel, disse a Amós: «Vai-te daqui, vidente. Foge para a terra de Judá. Aí ganharás o pão com as tuas profecias.
13 Mas não continues a profetizar aqui em Betel, que é o santuário real, o templo do reino».
14 Amós respondeu a Amasias: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sicómoros.
15 Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho, foi o Senhor que me disse: "Vai profetizar ao meu povo de Israel"».

85(84),9ab-10.11-12.13-14.

R/ O Senhor, nosso Deus, vem salvar-nos.

9 Escutemos o que diz o Senhor:
9 Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.
10 A sua salvação está perto dos que O temem,
e a sua glória habitará na nossa terra.

11 Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
12 A fidelidade vai germinar da terra,
e a justiça descerá do Céu.

13 O Senhor dará ainda o que é bom,
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
14 A justiça caminhará à sua frente,
e a paz seguirá os seus passos.

Ep 1,3-14.

3 Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo.
4 Nele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença.
5 Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adotivos, por Jesus Cristo,
6 para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho.
7 Nele, pelo seu sangue, temos a redenção e a remissão dos pecados. Segundo a riqueza da sua graça,
8 que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência,
9 deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio de benevolência nele de antemão estabelecido,
10 para se realizar na plenitude dos tempos: instaurar todas as coisas em Cristo, tudo o que há nos Céus e na terra.
11 Em Cristo, fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios daquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade,
12 para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo.
13 Foi nele que vós também, depois de ouvirdes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, abraçastes a fé e fostes marcados pelo Espírito Santo. E o Espírito Santo prometido
14 é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória.

Marcos 6,7-13.

7 Naquele tempo, Jesus chamou os doze apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros
8 e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro;
9 que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas.
10 Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali.
11 E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles».
12 Os apóstolos partiram e pregaram o arrependimento,
13 expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.

Comentário ao Evangelho

«Começou a enviá-los dois a dois».

Nosso Senhor Jesus Cristo constituiu-os guias e mestres do mundo e «dispensadores dos seus divinos mistérios» (1Cor 4,11) e mandou-lhes que brilhassem como lâmpadas acesas e iluminassem não só o país dos judeus [...], mas tudo o que está debaixo do sol, todos os os habitantes da Terra (Mt 5,14). [...]

Com efeito, querendo enviar os seus discípulos como o Pai O tinha enviado a Ele, era necessário que, para poderem imitá-l'O na perfeição, eles compreendessem bem o mandato do Pai ao Filho. Por isso, explicou-lhes de muitas maneiras os objetivos da sua missão. Certa vez, disse-lhes: «Não foram os justos que Eu vim chamar ao arrependimento, mas os pecadores» (Lc 5,32); e ainda: « Desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou» (Jo 6,38); e doutra vez: «Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele» (Jo 3,17).

Definida assim em poucas palavras a missão dos Apóstolos, explicou-lhes que os enviava como Ele fora enviado pelo Pai, para que soubessem que era seu dever chamar os pecadores à conversão; sarar os enfermos, tanto do corpo como do espírito; nunca procurar a própria vontade, mas a d'Aquele por quem tinham sido enviados; e salvar o mundo com a sua doutrina.

São Cirilo de Alexandria (380-444) bispo, doutor da Igreja Comentário sobre o Evangelho de São João 12,1

Santo do Dia