Liturgia diária
Sagrado Coração de Jesus – solenidade
Tempo litúrgico
Sagrado Coração de Jesus
A liturgia deste dia convida-nos a contemplar a bondade, a ternura e a misericórdia de Deus pelos homens – por todos os homens, sem excepção. Como imagem privilegiada para exprimir esta realidade, a Palavra de Deus utiliza a figura do Pastor: Deus é o Pastor que, com amor, cuida do seu rebanho.A primeira leitura apresenta Deus como um “bom pastor” (contraposto aos líderes de Israel, os “maus pastores” que conduziram o Povo por caminhos de egoísmo e de morte), cuja preocupação fundamental é o bem-estar do seu rebanho; nesse contexto, o profeta anuncia a obra do Pastor/Deus: libertação do rebanho/Povo, o êxodo para a terra da liberdade, a condução do rebanho para “pastagens excelentes” e os cuidados amorosos que o Pastor dispensará a cada uma das suas ovelhas.A segunda leitura lembra-nos que o amor de Deus se derrama continuamente sobre os homens. A prova cabal desse imenso amor é Jesus Cristo, o Filho que o Pai enviou ao nosso encontro para nos libertar do egoísmo e do pecado e que deu a própria vida para que o projecto de amor do Pai se concretizasse e atingisse a humanidade inteira.O Evangelho retoma a imagem do Deus/Pastor, cujo amor se derrama, de forma especial, sobre as ovelhas feridas e perdidas do rebanho. Dessa forma, sugere-se que o Pastor/Deus não só não exclui ninguém da sua proposta de salvação – nem sequer aqueles que, pelas suas atitudes “politicamente incorrectas” são marginalizados pelos outros homens – mas até tem um “fraco” especial pelos excluídos: são precisamente esses os destinatários privilegiados do amor de Deus.
Oseias 11,1.3-4.8c-9.
1 Eis o que diz o Senhor: «Quando Israel era ainda criança, já Eu o amava; e, para o fazer sair do Egito, chamei o meu filho.
3 Contudo, Eu ensinava Efraim a andar e trazia-o nos braços; mas não compreenderam que era Eu quem cuidava deles.
4 Atraía-os com laços humanos, com vínculos de amor. Tratava-os como quem pega um menino ao colo, inclinava-Me para lhes dar de comer.
8 O meu coração agita-se dentro de Mim, estremece de compaixão.
9 Não cederei ao ardor da minha ira, nem voltarei a destruir Efraim. Porque Eu sou Deus e não homem, sou o Santo no meio de ti e não venho para destruir».
Isaías 12,2-3.4bcd.5-6.
R/ Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.
2 Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.
3 Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
4 Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome.
4 Anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
4 proclamai a todos que o seu nome é santo.
5 Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a Terra.
6 Entoai cânticos de alegria e exultai, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.
Ep 3,8-12.14-19.
8 Irmãos: a mim, o último de todos os cristãos, foi concedida a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo
9 e de manifestar a todos como se realiza o mistério escondido, desde toda a eternidade, em Deus, Criador de todas as coisas.
10 E agora, é por meio da Igreja que se dá a conhecer aos principados e potestades celestes a multiforme sabedoria de Deus,
11 realizada, conforme o seu eterno desígnio, em Jesus Cristo, nosso Senhor.
12 Assim, é pela fé em Cristo que podemos aproximar-nos de Deus com toda a confiança.
14 Por isso, dobro os joelhos diante do Pai
15 de quem recebe o nome toda a paternidade nos Céus e na Terra,
16 para que Se digne, segundo as riquezas da sua glória, armar-vos poderosamente pelo seu Espírito, para que se fortifique em vós o homem interior
17 e Cristo habite pela fé em vossos corações. Assim, profundamente enraizados na caridade,
18 podereis compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade
19 do amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, para que sejais totalmente saciados na plenitude de Deus.
João 19,31-37.
31 Por ser a Preparação da Páscoa, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado – era um grande dia aquele sábado –, os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
32 Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com Ele.
33 Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas,
34 mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
35 Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis.
36 Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado».
37 Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão de olhar para aquele que trespassaram».
Comentário ao Evangelho
A ferida do coração
Os soldados não trespassaram apenas as mãos de Jesus, mas também os seus pés; e a lança do seu furor trespassou ainda o lado e, até ao fundo, o sagrado coração, já trespassado pela lança do amor.
«Feriste-me o coração, minha irmã e minha noiva, feriste-me o coração!» (Cant 4,9) Ó Jesus amantíssimo, tendo-Vos a vossa esposa, vossa irmã, vossa amiga ferido o coração, era também necessário que os vossos inimigos vo-lo ferissem? E vós, seus inimigos, que fazeis? Se o coração dulcíssimo de Jesus já está ferido - ou antes, porque está ferido -, porque lhe infligis segunda ferida? Ignorais pois que, à primeira ferida, o coração se extingue e se torna, de certa maneira, insensível?
O coração do meu dulcíssimo Jesus morreu porque foi ferido; uma ferida de amor invadiu o coração de Jesus nosso Esposo, invadiu-o uma morte de amor. Para quê segunda morte? Mas «forte como a morte é o amor» (Cant 8,6); mais ainda, ele é na verdade mais forte que a própria morte. [...] Vede como o amor, que habita o coração e o mata com uma ferida de amor, é forte; e não o é apenas o do Senhor Jesus, mas também o dos seus discípulos.
Foi assim que foi ferido e que morreu o coração do Senhor Jesus, exposto à morte todo o dia, tratado como ovelha para o matadouro (Sl 43, 23). Entretanto, sobreveio-Lhe a morte corporal, que triunfou durante algum tempo, mas a fim de ser vencida para toda a eternidade.
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